sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

“Adeus ano velho...”

(...) “feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Não é assim que as pessoas cantam à meia-noite do dia 31 de dezembro? Bem, hoje a postagem não é exatamente textos e contos como escrevi durante o ano todo, mas inclui o “eu”. 2010 foi um ano cheio de reviravoltas, cheio de surpresas, cheio de conquistas (ou quase conquistas). Foi o ano da surpresa e da superação para muito, foi o ano do perdão para outros, foi o fim de uma corrente e o início de uma nova sequência. Foi um ano de muita emoção a cada vida resgatada, a cada gol balançando a rede, a cada voto contado. 2010, apesar de todas as suas alegrias, também teve seus momentos trágicos, momentos ingratos que deixaram todos desesperados, com vontade de atravessar a tevê e poder ajudar, seja de qual forma fosse. Eu, Ana Carolina, tive todos esses momentos e até alguns a mais, mas quero compartilhar aquilo que foi marcante para mim. 2010 foi um ano sem expectativa nenhuma no começo, um ano como outro qualquer, mas pelo decorrer das horas, dias e meses percebi que passou incrivelmente rápido, assustador até. Pensei em parar de escrever, mas quando a luz estava quase apagada eu decidi não deixar isso acontecer. Fiz melhor do que não deixar a luz apagar, fui em frente, tomei decisões de uma hora para outra e comecei a fazer aquilo que parecia impossível, mas que era tão simples. Superei alguns medo (não todos, alguns), tagarelei mais do que poderia ter dito, coloquei-me em situações tensas que no fim me ensinaram lições, conheci pessoas maravilhosamente adoráveis as quais quero levar comigo por muito tempo. Ainda neste ano, decidi mudanças que serão realizadas amanhã, não exatamente amanhã, mas a partir daquela data. Tentar, essa é a palavra da vez. Gostaria muito de obter sucesso em tudo aquilo te tentasse fazer, mas se não conseguir, eu tentei e ninguém vai poder falar “mas você nunca tentou”. Só que calma, também não vou sair correndo pelas ruas dizendo “agora eu mudei e ninguém segura”, não é isso. São mudanças cotidianas, mudanças de hábitos que podem ajudar, seja na escola ou até mesmo como pessoa. Minhas expectativas para o Brasil e o mundo? Hum, queria muito, mas muito que a violência no Rio de Janeiro diminuísse, foi chocante ver todas aquelas imagens acontecendo, parecia um filme de ficção, uma aventura policial e estava acontecendo bem debaixo de nossos narizes, chocante. Queria também que a poluição diminuísse, coitada da natureza. Queria mais paz, aqui e no mundo todo, do fundo do coração; queria mais Deus no coração de cada um, mais fé para eu e para todos. Enfim, queria agradecer a todos que leram meu blog durante este ano, agradecer aos elogios e as críticas e queria desejar a cada um um ótimo ano novo, um feliz 2011 cheio de conquistas, repleto de alegria e diversão. Que 2011 venha com tudo, irradiando energia positiva e tudo de melhor! Um beijo a todos vocês e mais uma vez, muito obrigada.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Para o velhinho barrigudo

Um ano, 365 dias completamente loucos e diferentes, mas nenhum tão especial quanto o natal. Procurando no dicionário, natal significa: 1. Onde ocorreu o nascimento; 2. Natalício; 3. Dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro), mas será que o natal, na prática, é como o verbete do dicionário?
Não vemos a hora de encontrar os parentes e amigos em uma ceia farta, cheia de sorrisos, com pessoas esbanjando felicidade, abraços e beijos carinhosos. A contagem regressiva para a meia-noite se dissipa desde lábios murmurantes mal abertos à gritos eufóricos. Quando escutamos as badaladas de um sino ou olhamos para o céu, para o brilho dos fogos, o afeto se faz presente independente do lugar onde nos encontramos, mas há um porém: não estamos nos esquecendo de ninguém? Ninguém mesmo? Será que nos esquecemos de parabenizar o dono da festa? Pois é, tudo tão bom, festa boa e nos esquecemos de dizer “parabéns Jesus” ou um agradecimento pela vida, pela saúde, pela família.
Também tem aqueles que gostariam de ter algo para comer. Tantos pequeninos e até mais jovens vivendo em condição miserável, passando fome, gostariam de ter um panetone, qualquer coisa para comer por mais simples que seja; tantas cartinhas escritas ao Papai Noel pedindo paz dentro e fora dos lares, nas cidades, em todos os lugares; tantas letras, agora borradas, estampadas em corações que desejariam ter aquele ente querido e especial ao seu lado para poder abraça-lo e dizer “tudo de bom a você.”
Se o natal é uma época tão fraternal, por que nos esquecemos disso tudo?
Papai Noel, será que o senhor pode ler minha carta com mais atenção? Eu fui uma menina boa, tirei boas notas e obedeci aos meus pais, agora tenho o direito de fazer o meu pedido, nada mais justo. Gostaria que todo dia fosse natal para poder dizer à alguém que acabou de receber alta de um hospital “Feliz Natal e, assim como Jesus nasceu, você renasceu e tem um mundo lá fora esperando pela sua presença” ou “Feliz Natal, pois nasce Jesus e renasce a paz e os únicos bombardeiros que vemos são de carinho e explosões intensas de felicidade”.
Parabéns pelo seu aniversário Jesus e um Feliz Natal cheio de alegrias, de luz, de muita paz a todos vocês!



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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Caixa de costura

Eu estava no sótão de casa quando percebi que havia alguém na escada. Alguém de estatura pequena e roupa clara de tecido muito familiar.
- Chegamos vovó!
- Ei Amélie, entre e dê um beijinho na vovó. – Sorri alegremente para minha pequena.
Ouvi conversas, movimento de pessoas e malas e então fui até a sala encontrá-los. Minha casa sempre vive cheia, eu adoro a presença de meus netos. Correria, gritaria, isso é tão gostoso. Todo fim de semana faço torta de maçã, bolo de chocolate, rosquinhas, geléia de goiaba e suco do jeito que as crianças gostam. Eva era a primeira a chegar aqui com seus filhos. Elizabeth é a mais velha, tem 15 anos. Uma mocinha muito comportada e responsável, porém tímida, alguém de poucas palavras. Amélie tem 6 anos e Cecília é dois anos maior. Minhas “molecas” chegam limpas e voltam imundas e esgotadas de tanto brincar pelo gramado. O “rapazinho” era Vitório, meu cavaleiro de 9 anos amante dos animais. Sempre que chega, vai ao estábulo atrás dos cavalos e corre atrás dos patos.
- Mamãe, acho que Lúcia está atrasada.
- Minha querida filha, já viu sua irmã não se atrasar para algo?
Dizendo isso, ambas riram enquanto as lembranças voltavam à tona.

* * *

- Lúcia, o padre estará acabando a missa e nós estaremos chegando à igreja se não se apressar.
- Eva, venha aqui, preciso amarrar essa fita, odeio essas fitas mamãe. – Disse como quem iria chorar. – Sempre demoro para amarrá-las e nunca consigo.
Eva estava terminando de amarrar a fita no cabelo de sua irmã enquanto sua mãe já estava dentro do carro. As duas correram e entraram rapidamente no carro a caminho da missa.
- Nada de conversa, comportem-se e sentem-se direito. Vocês são mocinhas e têm de se comportar pois estamos na igreja. Ficou claro?
- Sim, mamãe. – Disseram ambas em um único coro.

* * *

Época de férias, bagagem maior do que o normal. Ao passar pelos quartos isso era claramente visto: brinquedos de um lado, roupas de outro, crianças pulando em cima das camas e suas mães gritando incessantemente para que parassem com a “baderna”. Eu ria dessa situação, mas não contrariava as ordens de minhas filhas, afinal são elas quem mandam. Ao olharem pela janela, escutava-se som de motor de carro. Parece que, finalmente, a atrasada chegara. Como um furacão, Gabriel, João e Francisco entraram correndo e deram um abraço, quase derrubando Laura.
- Meus lindinhos, eu já estava sentindo falta de vocês também. Lúcia, venha e me dê um abraço também minha filha.
A festa estava completa agora. Todos haviam chegado.
- Quem quer ir ao pomar com a vovó?
Um coro simultâneo de “eus” disse em alto e bom tom. Correndo pelos campos até o estábulo, lá se iam as crianças com aquele anjo de cabelos brancos e marcas do tempo estampada na pele.

A noite caiu e todos comiam a mesa. Comida feita em forno a lenha era um verdadeiro banquete dos deuses ali.
- Isso é muito bom vovó! Coloca mais frango no meu prato? – Disse Francisco de boca cheia.
- Não fale de boca cheia, é falta de educação Francisco e a vovó vai ficar brava se fizer isso novamente.
- Vó, eu quero mais arroz e polenta. – Pediu Cecília.
- Qual é a palavra mágica Cecí?
- Por favor. – Laura sorriu e colocou um pouco de comida para a neta.
Todos jantaram e foram descansar. Laura e suas filhas foram se sentar na varanda.
- Como a senhora está mamãe?
- Estou bem minha filha, olhe para mim. Não é por causa de uma doença que vou deixar me abater, de jeito nenhum, nem que o fim esteja mais próximo.
Eva abaixou a cabeça e ficou pensativa.
- Não vamos contar às crianças mãe. – Afirmou Lúcia. – Não queremos que eles saibam, são pequenos ainda.
- Nem eu quero filha, eles não precisam saber disso.
A sombra que havia atrás da porta sumiu de repente.

Na manhã seguinte, todos acordaram com o delicioso cheiro do café quentinho e o pão tirado do forno naquele mesmo momento.
- Bom dia pessoal, fiz questão de assar um pãozinho e tem café no bule. Tem leite também para quem não gostar de café. Hoje nós vamos pescar, tomar banho no riacho aqui perto, vamos até a loja do Antônio encomendar alfafa para o zorro, o cavalo negro que vocês viram ontem, vamos fazer bastante coisa hoje.
- Vó, leva a gente naquela parte de trás da caminhonete? – Perguntou Vitório.
- Sim, levo sim meu queridinhos. – Disse toda sorridente com aquele bando de gente na cozinha. – Bem, agora vou dar um jeito nessa louça enquanto vocês trocam esses pijamas e escovam os dentes. Vamos, vamos, um, dois, três, circulando. – Dizendo isso, deu tapinhas no bumbum das crianças.
- Vó, precisa de ajuda? – Interrogou Elizabeth.
- Ajude-me a secar a louça? – Laura respondeu.
- Sim, claro. – A garota pegou o pano e começou a secar copos, pratos pequenos e alguns talheres. Enquanto ajudava sua avó ficou calada, mas algo dentro de si, uma curiosidade, falava mais alto. Estavam terminando o serviço todo e Laura disse:
- Vou trocar de roupa, pegar dinheiro e vamos. Você vai?
- Daqui a pouco. – Disse um pouco desanimada.
Sua avó deu as costas a ela e a garota observava-a indo pelo corredor daquela grande casa, fazendo barulho em casa passo no chão de madeira. Ao ver que tinha sumido de vista, correu até o quarto da avó e bateu na porta.
- Entre.
- Posso fazer uma pergunta? – Disse cabisbaixa.
- Claro minha querida. Sente-se ao meu lado e pergunte o que quiser. – Laura sentou-se na cama e fez um gesto para que sua neta sentasse ao seu lado. Embora ela tivesse quase certeza do que se tratava a pergunta, continuou como quem esperava algo e se surpreenderia.
- Eu estava lendo ontem a noite enquanto a senhora, minha tia e mamãe conversavam. Vovó, a senhora está doente e não disse a ninguém? Porque não contou pelo menos para mim? Não entendo uma coisa: se está doente, porque está tão forte? Explique-me.
Esperando que sua avó ficasse brava por ela ter ouvido a conversa, usou toda sua delicadeza para com uma menina tão meiga.
- Vamos até um lugar? Quero lhe mostrar algo.
As duas saíram do quarto e logo seguiram para o sótão, onde subiram e foram direto para um baú. Ao abrir esse baú, Laura tirou uma pequena caixa de costura e uma caixa maior, ambas de madeira e entregou-as a neta.
- Abra esta maior primeiro. – Ficou observando sua neta.
- Um vestido vovó, é lindo!
- Vou lhe contar um segredo, poderia guardá-lo?
- Claro! – Disse Elizabeth, toda empolgada.
- Quando eu costurava, sua mãe e sua tia eram pequenas, então eu sempre fazia roupa pequena, mas conforme elas cresceram eu tive de aumentar o tamanho dessas roupas e esse foi o primeiro vestido que eu fiz para alguma ocasião especial.
- Ele é lindo vovó, só precisa de uma boa lavagem, mas é perfeito, é digno de princesa!
Laura olhou bem para a neta e disse:
- Tem certeza? Olhe bem para ele, repare bem.
A mocinha olhou intrigada e percebeu que haviam inúmeras falhas na costura do vestido.
- Vovó, esta costura não está boa.
- Eu sei. – Sorriu.
- Se não está bom, porque guardou-o?
- Porque eu pretendi fazer as coisas de forma diferente, preferi não me lamentar. Apenas deixei ai, guardado e fiz outros, fiz vestidos semana após semana, até que consegui fazer os melhores vestidos que pude.
- Tudo bem, o motivo para o vestido a senhora já me explicou, mas porque não disse nada a respeito da doença ainda?
Laura sorriu e passou delicadamente a mão no rosto cheio de dúvidas daquela jovem garota.
- Porque eu decidi viver dia após dia, aproveitar minha família, cada raio de sol, cada brisa da manhã e depois pensar que eu estou doente. Preferi fazer as coisas de forma diferente, preferi não me lamentar. Não pense que não estou fazendo minha parte, pois estou. Tomo meus remédios, vou regularmente ao médico, mas estou velha e não posso brincar com a minha saúde.
Elizabeth abaixou a cabeça e de repente uma lágrima, brilhante e cristalina, caiu sobre o vestido. Subitamente a garota deitou no colo de sua avó e disse:
- Vovó, a senhora não vai morrer, eu juro que não vai, eu não vou deixar.
A avó, percebendo o medo e a aflição estampados em sua neta, consolou-a:
- Minha princesinha, ninguém está dizendo que vou morrer. Eu não morrerei, tudo bem? Só estou um pouco doente e vou melhorar, assim como você melhora de uma dor de cabeça, de uma gripe. Não chores, acalme-se.
Elizabeth ergueu a cabeça e seus olhos verdes agora pareciam esmeraldas brilhantes entre gotas de orvalho da manhã. Sua avó tocou-lhe a face, a fim de secar aquelas lágrimas, beijou-lhe a testa e saiu.
- Vovó, vovó, espere!
- Sim?
- O vestido e esta caixa de costura, a senhora esqueceu de guardá-los!
Laura sorriu e disse:
- Acho que você tem trabalho, muito trabalho pela frente princesinha. Quero ele impecável até o natal. Boa sorte!

Divã

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo VIII

O tempo passou e muito mudou em minha vida. Rita conseguiu um tratamento para largar o vício da bebida e parou de fumar temendo que seu problema se agravasse, mas nada disso mudou a opinião de Melina. As duas já não se viam frequentemente, pois a garota agora morava com sua tia, naquela mesma casa onde morou antes, ao lado da casa de Átila. Sua mãe ainda telefonava, mas as conversas eram diretas, sem demora. Átila largou de Alana e estava mais safadinho do que nunca. Ele, que já tinha um corpo muito bonito, ficava cada vez mais interessante com seu jeito audacioso.
- Átila, vai trocar de roupa logo inferno!
- Ah Melina, vai dizer que não estou sexy com essa toalha enrolada nesse corpinho gostoso?! – Disse passando a mão em seu abdômen definido.
- Eu disse para ir logo e não me teste! – Lutando contra seus pensamentos, ordenou ao amigo.
- Vem cá Mel, vem cá! – Rindo foi até a garota.
- Imbecil, se você tentar me agarrar vou chutar suas bolas. Sai daqui!
Tilanga virou as costas e, quando entrava em seu quarto, parou e mais uma vez provocou Melina.
- Agora eu vou tirar essa toalha viu, se quiser vir aqui pegar, fique a vontade gatinha.
Ela nem virou para vê-lo na porta, apenas continuou folheando a revista, mas os músculos de sua face contraíram em um sorriso malicioso.
O trabalho ia bem, já que estava na loja de CD’s e não mais no restaurante. Ela se sentia em casa escutando as músicas que gostava naquele ambiente. Com o dinheiro que ganhava, ajudava a pagar as contas de casa e sempre deixava uma quantia para a balada do fim de semana. No colégio, a incansável luta de Louise para destruí-la não fazia tanto efeito quanto antes e Melina não precisou mais beijar nenhum garoto como forma de vingança barata.
- Sabe, eu sinto como se as vida estivesse conspirando a meu favor a partir de agora. Minha mãe tomou um jeito na vida, embora eu não admita isso claramente; estou feliz com meu trabalho e posso afirmar com toda certeza e honestidade que trabalho porque gosto e não porque necessito do dinheiro. Aquela menina tosca da escola já teve o que merecia, então nem me preocupo com ela mais, mas se precisar estou sempre disposta a pisar na cabeça dela para baixo da terra.
- Acha que isso compensa?
- Talvez. Acho que se as pessoas me escutassem mais, não seria necessário agir como ajo, tratá-los como trato, enfim, ser tão agressiva e grossa quanto sou. Uma prova disso é Átila que, por mais teimoso que seja, só brinca comigo e não prossegue entende?
- Sim.
- Eu queria muito que tudo fosse diferente desde o princípio. Confesso que fiquei bem chateada com boa parte desses acontecimentos, mas consegui lidar, ignorando. Foi bem difícil, só tive algumas explosões, mas fui até o fim.
A pessoa com quem Melina conversava escutava tudo aquilo e parecia anotar em formato de tópicos cada frase dita por ela. Ao afirmar algo, balançava a cabeça concordando ou apenas expressava dúvida em sua face pouco expressiva.
- Melina, eu como psicólogo posso afirmar que seu comportamento é típico de adolescentes que estejam nesta fase ou que estão transitando para a maioridade e quanto aos problemas de sua casa, sua família, enfim, eles não ocorrem somente com você. Já tive pacientes com problemas três, quatro vezes mais graves que o seu. – Colocou a mão na boca e tossiu. – Desculpe. Eu não estou aqui para dizer o que você deve fazer, apenas posso questioná-la, instruí-la para que possa se libertar dessa psicose, desse transtorno como acha que é. Quanto à sua mãe, dê um tempo, deixe ela estar firme e forte com o tratamento e quando isso acontecer dê apoio. Ela irá pensar em tudo que fez, acredite; quanto às garotas do colégio, nem ligue. Na minha época de colégio também era zoado por causa de uma verruga na testa. – Melina inclinou seu corpo para frente discretamente e olhou a testa do homem. – Ainda bem que fiz extração a laser e deixei de ter cabelo comprido, acabando assim com o falatório a respeito do meu estilo. (Será que ele era um hippie ou algo do tipo? Como será que ele se vestia hein? Cruzes, não gosto nem de pensar). Quanto a Átila não tenho nada que dizer, pois estão bem e fico feliz por saber que se sente perfeitamente bem na loja de CD’s, isso é uma ótima atividade para você, ajudará a se acalmar, a não ficar tão estressada com tudo isso. Vamos à mesa, por favor.
O médico sentou-se de costa para a janela e Melina, de frente para ele, do outro lado da mesa.
- Analisei minhas anotações, seu avanço durante o tratamento e acho que agora é hora de você caminhar com os próprios pés. Coloque em prática toda teoria ensinada, aprendida e discutida durante nossas conversas e viva do seu jeito, seja muito feliz. Foi muito legal te conhecer e desejo melhoras a sua mãe e tudo de bom a você.
Melina sorriu e assim que ele estendeu a mão, ela cumprimentou-o.
- Obrigada por tudo doutor, pode deixar que vou ser uma boa garota, por mais que isso pareça mentira.
Dizendo isso, levantou-se e foi até a porta. Será que, a partir daquele momento o “bicho ia pegar?”


“Pois é, acho que tudo isso era coisa da minha cabeça mesmo. Bom, nada melhor do que zoar um pouco com a cara dos outros para descontrair. (Barulho de botões sendo apertados). ‘Átila, vamos sair? Hoje eu quero fazer loucuras! Beijo.’ É, pelo visto não mudei muito. Esse é meu jeito, esse é o jeito Melina de ser e foda-se quem não gostar. Tchauzinho.”

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma bomba às oito e catorze

Quinta-feira, oito horas e catorze minutos da manhã. Tensa manhã. Eu estava, durante aquela aula, mais irritada do que nunca. Meus pensamentos estavam martelando meu crânio maciço com tamanha força que jurava poder sentir a dor. Tudo bem, eu sabia que em algum momento ia passar ou aquele, o qual estava me irritando, haveria de se tocar. Incessantemente “bla blás” saíam de sua boca em tons graves e fortes, por mais baixos que pudessem ser. Eu não entendia o que era dito, então eram “bla blás” infernais. Minha cabeça já não era mais martelada e funcionava agora como uma panela de pressão: parecia que a qualquer momento explodiria e a pressão interna era grande, grande, grande. Eu me revirava escutando aquele som gutural saindo da boca do homem moderno, mas me revirava de pura irritação. Coça, coça, coça sem ter nenhum prurido. Talvez meu couro cabeludo já estivesse muito vermelho e meu cabelo, muito bagunçado. Não conseguia prestar atenção na aula de maneira alguma, mas tentar nunca era demais. Respondi, ou melhor, tentei responder oralmente às perguntas que a professora fazia e percebi que em meio a tanto tormento algo havia entrado em minha cabeça. Não sei. Cutuquei a garota do cabelo cacheado que sentava na minha frente e reclamei. Ela me fez algumas perguntas, observou aquele que me irritava e novamente voltou a me olhar. Explodi calmamente. Decidi mudar de lugar e arrastei a carteira, sem me levantar da cadeira. Rapidamente me ajeitei e fiquei ali, com meus pensamentos, bem na minha. O sinal que, cada dia parecia mais alto e insuportável tocou e acabou-se o tormento infernal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma visita um tanto quanto inesperada

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo VII

“Eu escutei a porta abrir e fiquei surpresa com a visita.”
- Oi.
- O que está fazendo aqui?
- Não iria deixar minha amiga na mão.
- Ninguém te avisou Átila, como você sabia da minha situação se não estávamos nem se vendo?
- Não interessa Mel, mas não vou deixar você sozinha enfrentando isso, não mesmo. Se precisar é só falar. Eu estou de carro, se quiser busco roupas ou qualquer outra coisa que precisar.
- Nesse momento não preciso de nada, mas obrigada.
Melina puxou uma cadeira e colocou perto dela. Átila sentou-se e ela contou desde a história do programa envolvendo o advogado até o suporte que ele estava dando naquele momento. Sua mãe começou a se mexer na cama. Levantou-se e foi a seu lado.
- O que eu estou fazendo aqui?
- Você quase vomitou o próprio fígado. Como tenho uma mísera compaixão por você, cuidei para que fosse internada. Sabe aquele advogado para quem deu? Agradeça a ele, pois está nos ajudando muito.
Melina saiu do quarto e bateu a porta. Átila levantou-se e foi até Rita.
- Ela está muito nervosa, de verdade. Por favor, desculpe-a.
Ela acenou com a cabeça e voltou a dormir. Parece que não se importou muito. Átila encontrou a amiga sentada na calçada, com a cabeça entre as pernas. Ele chegou e sentou ao seu lado, puxando seu corpo para cima. Abraçou-a.
- Chore Melina, você não é mulher maravilha, não pode continuar calada, aguentando tudo ou não.
Chorou silenciosamente e suas lágrimas transformavam seus olhos em duas pérolas negras, brilhantes.


***

Passaram-se alguns dias e a mãe de Melina teve alta. Ela fez questão de quebrar todas as garrafas de bebida de sua casa, jogou fora os maços de cigarro, ajeitou aquele inferno. Aspirou a casa, jogou os lençóis fedidos fora, abriu as janelas e deixou o sol e o vento fresco entrar. O ódio que sentia ainda não havia sido diluído e estava fazendo aquilo por conta própria, sabendo ou não se Rita queria.
- Não sei qual a finalidade disso tudo, filha.
- Não me chame de filha e cale a boca.
- Você deve me respeitar menina!
- Se eu pudesse teria dado um tapa nessa sua cara. Você é uma ingrata. Aposto que já voltou a dar. Tanto esforço para nada.
- Não me tire do sério Melina, eu sou sua mãe.
- Não, você é uma vadia! Mãe de verdade não faz o que você fez a vida toda.
Dizendo isso foi para seu quarto, enfiou umas roupas em uma pequena mala, pegou sua mochila, algumas outras coisas e saiu. A vizinhança ouvia os gritos.
- Onde você vai?
- Para qualquer lugar longe de você e deste inferno. Foda-se!
Melina acenou para o primeiro táxi que apareceu em seu caminho e foi para a casa de Átila. O amigo abriu a porta assim que ela chegou, olhou-a espantado. Ela começou a falar antes mesmo dele respirar:
- Preciso passar alguns dias aqui. Se precisar, faço hora extra no restaurante para pagar comida, água, luz, telefone, seja o que for. Ajudo a limpar casa, faço compras, qualquer coisa.
- Massagem em mim?
- Viado.
Só Tilanga mesmo para fazê-la rir. Ela entrou e instalou-se na casa dele.

A droga mais potente que qualquer outra

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo VI

Talvez eu seja facilmente notada, notada por esse jeito não social, apenas sociável. Talvez ser tão “fechada”, tão calada possa me fazer mal. Minha vida está uma droga e sinto que aos poucos vou perdendo uma parte de mim. Primeiro brigo com Átila e agora minha mãe cai doente na cama. Estou sem meu melhor amigo, minha mãe e embora possa contar com Lavínia e Verônica, a vergonha sempre me deixa sozinha. Minha mãe bebe muito e por isso ela acabou desenvolvendo problemas sérios que necessitavam de internação, tratamento e medicamentos. Não temos grandes condições e apesar do quadro ser inicial, não possuimos muito dinheiro ou qualquer outro tipo de recurso para tratá-la. Estava utilizando a lista telefônica e lembrei de um advogado que minha mãe contratou a muito tempo atrás. Contratou só porque deu para ele. Biscate, falo isso porque sei o motivo dela ser tão afastada da minha vida, de sair a maior parte do tempo, de esquecer que me colocou no mundo e agora está ai, morrendo. Ela deveria me agradecer, pois poderia muito bem deixa-la morrer. Realmente ainda resta algo bom em mim. Liguei para o advogado:
- Doutor Daniel Liroff, sou Melina, filha de Rita.
- Rita...?
- Rita Vedova.
- Ah sim, em que posso ajudar?
- Poderia falar com o senhor pessoalmente em seu escritório?
- Posso atende-la as duas e meia.
- Estarei ai. Até breve.
Minha mãe estava no hospital em observação. Ela passou mal e foi levada. Não sabia por quanto tempo ficaria lá ou se seria internada de uma vez por todas. Sai de casa duas horas e passei no restaurante para falar com meu chefe. Liberou-me, mas tive um pequeno desconto no salário. Isso era o menor dos problemas. Cheguei no escritório, um lugar muito bem decorado, simples mas imponente. Um ambiente sério, silencioso. Esse silêncio causava até desconforto, confesso.
- Sente-se.
- Obrigada.
- O que a traz aqui, senhorita Verona?
- Melina, por favor. Bem, minha mãe está com problemas de saúde e como sou menor não posso fazer muito por ela. O médico disse que ela precisa de internação, precisa de medicamentos e tudo isso deveria ser feito por alguém que respondesse, legalmente, por mim. Não tenho ninguém, então estou pedindo ajuda ao senhor.
- Olha, pode demorar para conseguir algo realmente eficaz, mas posso assinar papéis para internação. Dado este primeiro passo, veremos a situação e faremos o que for preciso. Claro que a colocarei a par de tudo, quanto a isso não se preocupe.
- E quanto essa ajuda custará?
- Falaremos disso depois.
- Desde já agradeço.
Apertei a mão dele e sai. Fui para o hospital e o médico confirmou a necessidade da internação. Falei com ele e fui passar um tempo com ela. Quando cheguei no quarto, ela estava deitada em uma maca, pálida. Vê-la naquele estado partia meu coração, embora ela não fosse a mãe que gostaria de ter e nunca seria. Quando foi mãe? Ela estava sedada e eu sentei em uma cadeira, olhando ela, pensando nessa droga de vida. Apoiei meus cotovelos nos braços da cadeira e segurei minha cabeça, de olhos fechados, querendo apenas respirar aquele cheio de hospital e esvaziar minha cabeça, sem pensar em absolutamente nada. Eu escutei a porta abrir e fiquei surpresa com a visita.

domingo, 24 de outubro de 2010

Quinze minutos com meus pensamentos

Eu sentia as consequências das minhas aflições em meu próprio corpo. Eu me sentia mal, se pudesse estaria rastejando, pois minha cabeça pesava, pesava demais. Eu poderia ter posto tudo a perder, ser grosso, transformar tudo em nada de um minuto para outro, mas decidi parar e prestar atenção em meus pensamentos. Eu estava sentando numa mesa larga, de madeira escura, com as mãos apoiando a cabeça. Fechei os olhos, respirei fundo e deixei que meus pensamentos vagassem livremente pelo espaço daquele quarto. Parecia que um filme passava na minha cabeça e eu estava repensando tudo aquilo que vivi, tudo aquilo que senti, tudo aquilo que provou, que me colocou e coloca em teste o tempo todo. Paciência, desespero, otimismo, talvez. Era como se eu tirasse-os e colocasse-nos em uma “penseira”, observando os próprios pensamentos boiarem naquela água prata e límpida. Eu vi que não valia a pena me desgastar por tão pouco e as vezes acabava fazendo tudo do jeito inverso. Eu inspirei profundamente, soltei o ar, inspirei e soltei vagarosamente e o sino começou a badalar. Eu tentava contar quantas badaladas aquele sino dava, mas perdia a conta facilmente. Aquele barulho tão distante parecia tão suave, era como se estivesse deitado em nuvens, voando, leve. Parece até que meus pensamentos adquiriam a forma humana e paravam de me rodear cada vez que o sino badalava. Depois acabou e o silêncio tomou conta de mim. Eu deveria fazer esta experiência mais vezes, pois é extremamente prazerosa e relaxante. Tirei meus sapatos e minhas meias, coloquei meus pés sobre a mesa, tirei meu óculos, cocei levemente meus olhos e inclinei para trás. Não, eu não iria dormir, mas queria aquela paz por quinze minutos, só isso. Eu pensava na minha vida, que boa ou não, era a minha vida. Óbvio. Como era óbvio o ser humano perceber que nossa vida possui fases, cujas não são as melhores sempre e o que vale é tentar se acalmar, é tentar relaxar, para não ter dores como eu tinha. Meus ombros pesavam tanto quanto minha cabeça pesou no começo. Agora não mais. Um cheiro entrava pela minha narina e eu ri. Era o odor que meus pés suados exalavam. Eu simplesmente ri daquilo e vi que estava na hora de tomar banho. Coloquei novamente meus pés no chão e fui a caminho do banho, deixar com que a água escorresse da cabeça aos pés, me lavasse de corpo e alma.

Um medo repentino

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo V

- Melina, você é descontrolada? Você precisa de remédios, sinceramente.
- Átila, você acha que eu ia deixar barato? Não mandei aquela piranha mexer comigo, ela mereceu apenas.
Melina estava sentada na cadeira com os pés sobre a cama de Átila, onde ele estava deitado escutando a amiga desajuizada contar o que havia aprontado.
- Tudo bem que foi meio sem controle, mas eu gostei. Essa é minha garota!
- Tilanga, Tilanga, sou uma caixinha de surpresas.
Naquela tarde, os dois estavam de folga.
- Tilanga, vamos tomar café? Eu quero sair, seu quarto está quente, abafado e fedido, como sempre foi.
- E você sempre amorosa, doce, cheia de elogios.
Átila sentou na cama, colocou o tênis e foi se levantando. Saíram para a rua e foram até o café, onde Melina sempre ia. A garçonete veio, anotou os pedidos e eles continuaram conversando, rindo, se divertindo em qualquer lugar a qualquer hora. Melina foi ao banheiro e uma moça chegou na mesa em que Átila estava e entregou um papel com um número de telefone e um beijo. A garota saiu.
Louise 555-6352”
Ao perceber que Melina voltava, não conseguiu esconder o bilhete e a garota viu.
- Agora minha inimiga quer me atacar? Truque bem barato.
- Mel, até que ela é bonitinha. Com um charme eu pego ela fácil.
Melina olhou Átila com um olhar mortal até que a garçonete chegou e colocou os cafés e uns biscoitinhos na mesa.
- Filho da puta. Alana não te merecia.
- É brincadeirinha meu amor! HAHAHA
Ela jogou um biscoito nele e os dois começaram a rir. Aquela tarde foi muito agradável, mesmo com esse rastro indesejado de inimigo no território. Andaram pela Dacown Street, correram pelo parque e no fim da tarde foram para casa.
No dia seguinte, ela foi cedo para o colégio e pela tarde para o restaurante. Átila entregou rapidamente as correspondências no restaurante e disse apenas “estou atrasado, depois do trabalho eu passo aqui te pegar”. Mel entendeu que não daria para conversar naquela hora e acenou para ele. Ao final do dia, o chefe teve uma conversa com os funcionários, algo breve que acabou resultando em atraso. Quando Melina saiu do restaurante e viu que Átila estava conversando com uma moça, parou de falar:
- Desculpa pelo atraso, mas eu estav...
Parou diante daquela cena. Louise estava praticamente colada à Átila.
- Ok, Átila.
Começou a andar rápido enquanto Átila se despedia da garota e ia atrás dela.
- Ei, porque não me esperou?
- Acho que você estava suficientemente ocupado.
- Melina, que isso agora? Vai ficar com ciúmes?
- Não é ciúmes seu imbecil, mas você sabe o quanto eu odeio aquela garota. As vezes eu penso que você tem prazer em me deixar louca, se já não for.
- Para Melina!
- Se liga Átila!
- Porque não posso conversar com as garotas? Só porque você não gosta delas?
- A questão não é essa. Você apóia minhas atitudes com relação a essa garota e depois fica ai se esfregando nela? Belo amigo você. Daqui uns dias vai falar tudo o que penso a respeito, o que pretendo fazer. Não estou reconhecendo mais o Átila de antes, que tem prazer em humilhar quem merece.
- Para com essa psicose Melina! Para!
- Ou ela ou eu.
Saiu e se enfiou pelas ruas. Ao chegar em casa, sua mãe estava ausente como sempre foi e a garota se sentia mais sozinha do que nunca naquele momento. Bateu a porta e pegou o porta retrato com a foto dela e de sua mãe.
- Droga de falsidade!
Jogou na parede. Melina nunca tinha feito algo por aquele amigo. Sim, lágrimas molhavam seu rosto. Talvez o medo fosse maior que o ódio naquele momento.

Beijo doce

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo IV

Melina chegou no colégio na semana seguinte e parecia que aquela semana seria mais tranquila, sem garotas enchendo ou caras pedindo seu telefone. Na sala ela conversava com duas meninas, Lavínia e Verônica. Não eram suas melhores amigas, mas tinha boa afinidade com elas. Quando precisavam, discutiam algo sobre a matéria ou mesmo riam e conversavam a aula toda. Lav e Vê, como eram carinhosamente chamadas, tinham até o mesmo estilo de Melina, curtiam rock e usavam roupas sem se importar muito com os outros. Naquela semana ela chegou no colégio e conversando com as meninas contou o que tinha feito, perguntou se elas saíram fim de semana e tudo mais. Lavínia disse que foi em um restaurante grego, por sinal maravilhoso e acabou conhecendo um rapaz. Trocaram ideias, conversaram bastante e ele parecia muito interessante. Já Verônica preferiu ir para a balada, beber e dançar.
- Lav, mas você não pensa em namorar com o cara não, ?
- Mel, não sei de nada ainda. Ele é bem interessante, mas eu queria sair com vocês sem compromisso também.
- Vamos combinar que não dá para ir a uma balada com namorado Lavínia.
Lavínia ficou pensativa e Verônica sorria. Inesperadamente a nojentinha da sala chegou perto das meninas e começou a irritar Melina como de costume.
- As notícias correm, Mel.
- O que você sabe? Que eu saiba não fiz nada demais e nada que diga respeito a você. Se ligue, otária.
- Fim de balada é mesmo tão interessante, não é Melina? Mas espere aí, será que você deu um fora no garoto ou ele não quis você mesma?
Dizendo isso se virou e foi para o grupo dela. Mel olhou para suas amigas e sorriu, mas aquele sorriso não era de quem deixaria barato.
- Ela verá.
Verônica disse:
- O que você vai aprontar?
- Na quadra eu conto, ou melhor, eu faço.
Passadas algumas aulas, as meninas saíram do laboratório e trocaram aquelas roupas brancas pelo short e foram para a quadra. As amigas de Melina também eram muito bonitas. Mesmo tendo poucos amigos, elas arrancavam olhares dos garotos.
- Olha, olha quem chegou: a pegadora e suas amigas estranhas.
Melina respondeu a altura:
- Somos tão estranhas que até seu namoradinho nos olha com um short curto e uma blusa colada. Se cuida hein.
- Não mexe com ele.
- Uh, eu acho que estou morrendo de medo. HAHAHAHA!
Provocando sua inimiga, saiu de perto e foi jogar. Os meninos jogavam futebol, enquanto as meninas se dividiram em dois times para jogar vôlei. A nojentinha combinava algo, cheia de segredos com as meninas do seu time e olhava imediatamente para ela, como se quisesse dar um aviso. Ao ver que o jogo começou (e muito quente por sinal), os garotos vieram para perto da quadra ver, abandonando bolas e coletes no campo. A cada ponto marcado, aquela garota comemorava com o time e beijava seu namorado, não desgrudando o olho de Mel em momento algum. Assim que a bola foi para fora, ouviu-se um grito:
- Sou eu quem vai sacar agora.
- Meninas, parece que a estranha vai jogar agora? Vamos Melina, impressione os rapazes. Quem sabe assim algum te olhará!
Dito e feito. Sacou, marcou ponto e os rapazes a olharam. Parece que sua adversária não gostou muito após flagrar seu namoradinho cochichando e olhando para Melina. Em um súbito ataque, começou a gritar:
- Sua vadia, tire o olho do meu namorado senão eu acabo com sua vida!
Escutou-se um estalo e Melina levou suas mãos ao rosto. Ela tinha levado um tapa. Enquanto os garotos gritavam “wow”, Mel se dirigiu ao lugar onde estavam os garotos, olhou para aquela menina e disse:
- Você pediu.
Deu um beijo no namorado de Louise. O cara do time de futebol realmente tinha gostado, porque não poupou apertos ou mesmo tentou interromper aquele beijo. O sinal tocou, Melina desgrudou dele e ao piscar para Louise, saiu andando. É, parece que dessa vez quem realmente atraiu os olhares foi ela, com sua cara desiludida sob prantos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Madrugada quente

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo III

Sai do restaurante na sexta mais cedo. Provavelmente com Alana viajando, Átila iria me ligar para irmos a algum lugar, já que com ou sem ela não deixamos de sair nunca. Eu fui dar uma volta e fui em algumas lojas atrás de um vestido básico, mas que ficasse legal em mim. Estava caminhando e meu celular tocou:
- Oi Átila.
- Mel, amanhã nós vamos sair.
- Eu estava esperando você dizer isso. Estou procurando um vestido barato para comprar. Onde vamos?
- Não sei ainda, mas estou avisando.
- Balada?
- Talvez.
- Beleza. Achei uma loja aqui, vou entrar e provar roupas. Depois nos falamos, beijo.
- Tudo bem, beijão.
Entrei na loja e comprei o vestido. Era lindo. Tinha um pouco de brilho, mas não era seda. A cor era fantástica, grafite. Era um tomara que caia colado ao corpo, curto e marcante.
Fui para casa, estudei um pouco física e me cansei. Dormi. Acordei sábado por volta das onze horas. Sábado era meu dia de folga, então eu não fazia nada o dia todo. Passei meu vestido e deixei no cabide enquanto procurava meu secador. Estava cuidando da minha pele quando liguei para o Tilanga:
- Decidiu onde vamos?
- Pancha
- Ótimo!
- O que você está fazendo?
- Cuidando da minha aparência.
- Af, garotas.
- Tenho que ficar bem lindona, pare de reclamar. Ah! Passe aqui as 9.
Desliguei e fui tomar banho. Como o dia passou rápido. Olhei no relógio que já marcava oito e cinco. Sai do banho, coloquei um roupão e fui fazer uma maquiagem caprichada. Coloquei o vestido, minha ankle boot, acessórios, passei perfume e escutei o carro buzinando.

- Estou levando uma chave e não sei que horas volto mãe, tchau!
Entrei no carro e nós fomos. Chegamos e entramos. Nossa, estava lotada aquela boate. O DJ tinha um som muito legal e assim que pegamos um drink fomos dançar. Aquela música, aquela luz, tudo era demais! A cada minuto eu tinha vontade de dançar mais ainda, como eu curtia uma balada. Percebi que um rapaz me observava a noite inteira, mas não liguei muito para ele. Eu estava ali para curtir e queria que todos se lascassem afinal, aquela era minha noite. Dançamos até altas horas e saímos de lá quando o sol quase nascia, até que um rapaz chegou até mim:
- Eu te vi dançando a noite toda e te achei muito atraente. Se você quiser sair fim de semana, é só me ligar.
- Pois é, percebi. Fiz cara de desdenho e quando me dei conta, ele estava me agarrando, estava tentando me beijar. Eu não estava bêbada, estava alegre e sabia muito bem o que eu estava fazendo e o que ele estava fazendo.
- Ei, não te conheço para você chegar me agarrando!
- Só um beijinho custa alguma coisa, gata?
- Não quero!
Eu empurrava ele, mas ele me apertava e aquilo já estava me irritando. Átila percebeu que ele não me soltava, desceu do carro e veio para cima dele.
- Amigo, ela já disse que não quer. Não quero arrumar confusão contigo, mas se você não soltar a coisa vai engrossar pro teu lado!
- Alá, a moça não aguenta brigar é?
É, ele não devia ter dito isso. Átila o empurrou e finalmente ele desgrudou de mim. Quando eu menos esperei, ouvi o barulho de um soco. O carinha já estava com as mãos no rosto enquanto entrávamos no carro para sair daquele lugar. O Tilanga não era violento, confesso que fiquei surpresa com a reação dele. Fiquei em silêncio por alguns instantes até que resolvi dizer algo:
- Não precisava ter batido nele, ele ia me largar.
- Se eu deixasse você lá, ele iria fazer coisa pior Melina, pode ter certeza!
- Valeu Átila, valeu irmão. Devo essa.
- Relaxa gatinha.
Ele sorriu, dei um beijo no rosto dele e fui para casa.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Possante de Átila

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo II

A Dacown Street era uma das ruas mais frequentadas pelas mimadas de classe média-alta de Nova York. Não era a mais luxuosa, mas estava entre as mais caras. Haviam muitas lojas de roupas, sapatos, perfumarias, joalherias, é a rua dos sonhos para as garotas do colégio. As vezes quando eu ia a algum lugar e tinha que passar por aquela rua, sempre via as nojentas sondando lojas e mais lojas cheias de sacolas nas mãos. Era interessante saber por onde elas andavam, se é que você me entende.
Escutei a porta do restaurante abrir e quando olhei era Átila, com um sorriso de orelha a orelha.
- Mel, Melzinha, Melinda, você não sabe o que o gatão aqui comprou.
- Uma casa de praia em Saint-Tropez, uma boate em Ibiza ou o quê?
- Há, há. Venha ver então, otária.
Sai do restaurante e ele estava lá, lindo, deslumbrante, seduzindo quem passasse pela rua.
- Não acredito!
Sim, Átila juntava dinheiro desde os 15 anos para comprar um Opala 1974 preto. Tudo bem que o carro não era perfeito, mas estava muito bem cuidado. Boa pintura, bancos bem costurados, lindo e impecável. Eu não sabia o que fazer, porque estava muito feliz por ele. Desde quando éramos pequenos ele dizia que compraria um carro e eu seria a primeira a andar com ele.
- Átila, eu não consigo acreditar.
- Viu Mel, ele não é lindo? Eu te disse que iria comprar um carro, eu disse.
- Você pode ser um ano mais velho que eu, mas daqui um ano pode ter certeza que quem vai querer dirigir seu carro sou eu.
- Acordou ou ainda está sonhando?
- Imbecil. Anda Átila, vamos dar uma volta!
Disse isso, mas estava dentro do carro já. Era tão lindo por dentro quanto por fora.
Pedi para ele me levar à Dacown St. Ele estranhou, mas não exitou e me levou. Estávamos a caminho ao som de AC/DC, com Rock’n’Roll Singer. O som estava bem alto, do jeito que nós gostávamos. O carro era mais interessante ainda e Tilanga me contou tudo, desde o momento que ele chegou no estacionamento até a negociação. De repente eu vejo, quase atravessando a rua, as garotas do colégio.
- Átila, passa naquela poça de água quando as garotas forem atravessar a rua. Sem perguntas, faça o que eu mandei.
Dito e feito. Assim que elas foram atravessar a rua, Átila acelerou e virou a esquina no momento em que elas iriam atravessar.
- Você molhou minha roupa seu idiota!
Até um cidadão que passava ali perto resmungou alguma coisa para nós. Assim que ouvi aquelas vozes irritantes, abri o vidro e gargalhava ao ver a cara do "grupinho rosa" e do enxerido. Nova York ficava cada vez mais interessante. Fomos a um ferro velho atrás de algumas calotas cromadas, mas não compensava compra-las. Depois fomos abastecer e passamos na casa de um amigo de Átila que queria vender alguma coisa para ele, algo relacionado a som, mas não sabia exatamente o que era. Já estava escuro e Tilanga me deixou na porta de casa. Sai do carro, fechei a porta e me abaixei para falar com ele:
- Adorei o passeio hoje.
- Você é louca garota, de verdade.
- Elas merecem muito mais do que aquilo, mas como sou muito boa, não me preocupo muito em criar situações. As vezes eu me pergunto se a situação é que vem até mim.
- Desculpa boa essa. Se eu não te conhecesse, acreditaria em você.
- Até amanhã Tilanga.
E me afastei. Assim que fui para minha casa, parei diante a porta olhando o possante negro pela rua. Ele sumiu e eu entrei.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Gangue da purpurina

Psicose Nova-Iorquina - Capítulo I

Era manhã de uma terça-feira quando eu escutei a merda do despertador tocar. Só não era pior a manhã, porque o colégio era perto de casa e consequentemente eu não acordava muito cedo. Os ponteiros marcavam sete e quinze da manhã quando decidi me levantar da cama e tomar um banho para acabar com aquela preguiça. Sai do banho e peguei a primeira roupa que vi na gaveta. Era um colégio, então eu tinha que colocar algo mais comportado. Peguei uma blusinha em tom pastel, minha calça jeans e coloquei um All Star Skid verde claro que eu tinha. Já disse que não me importava em combinar minhas roupas, apenas coloquei esta porque estava confortável e eu me sentia bem assim. Azar de quem não gostasse. Olhei no relógio e vi que perdi algum tempo trocando de roupa, então peguei uma maçã, minha bolsa, coloquei meus fones no ouvido e logo fui para o colégio ao som de Crossroads, de John Mayer. Chegando lá parecia que o número de estudantes tinha duplicado de ontem para hoje. Como de costume, as meninas me olhavam e riam da forma como eu me vestia, cochichando sem parar na rodinha delas. Pouco ligava para isso, entrei apenas no prédio e fui direto ao meu armário pegar uns livros que havia deixado lá. O sinal tocou e aquela multidão entrou. Fui direto para a sala e logo as garotas vieram tentar me encher:
- Onde estão seus amiguinhos? Não têm? Pecado, deve ser bem difícil isso não é?
E saíram de perto rindo.
Nem liguei. Abri a bolsa, tirei o caderno e joguei o Ipod dentro. Escutei um “bom dia, cada um no seu lugar” e quando olhei fiz aquela cara de sofrimento. Era o professor de física. Não prestava muito atenção, porque realmente não gostava de física, mas isso não quer dizer que ficava de recuperação. Não fiz exercício nenhum, mas fiz algumas anotações das teorias que ele tinha passado até o intervalo. Quando tocou o sinal, fui até a cantina e entrei na fila para pegar um sanduíche. As garotas estavam com suas bandejas e eu acho que elas perceberam minha presença ali. A “líder” da “gangue da purpurina rosa” veio até eu e “esbarrou” em mim.
- Ai, desculpa, acho que derrubei suco na sua roupa.
Eu olhei para ela e vi que ela ria. Dei uma risada mais irônica ainda, peguei meu sanduíche e o copo de suco de uma garota da fila, derrubei nela propositalmente e disse:
- Ops, acho que escorregou.
Ouvi ela retrucar alguma coisa, mas nem liguei. Subi rapidamente as escadas, deixei meu sanduíche na sala e fui ao banheiro. Peguei uns papéis, molhei e passei na minha blusa. Não adiantou muito. Droga. Fui para a sala, assisti à aula de biologia e história. Antes de acabar a aula de história, mandei uma mensagem para o Átila: “Tilanga, leva meu almoço no serviço hoje, não vai dar tempo de almoçar. Vou ter que passar em casa antes para trocar de roupa. Depois de explico e te pago. Beijo”
O Tilanga (como eu chamava carinhosamente o Átila) era meu amigo. Toda terça e sexta-feira ele ia ao restaurante entregar correspondência.
- Seu almoço. O que houve?
- Adivinha?
- A gangue da purpurina lançou o raio rosa-choque mortal sobre você?
- Cinderela derrubou suquinho em mim. Nem esquentei a cabeça. Foi só sujar o vestido de marca que ela já chorou.
- Mel, essas meninas vão tentar fazer você perder a cabeça até morrer.
- E eu com isso? O que você tem nesse embrulho aí? Presente para mim?
Átila levantou o embrulho e guardou no mesmo lugar onde estava meu almoço.
- Presentinho para Alana. É um pingente em formato de coroa, acha que ela vai gostar?
- Claro, do que tua namorada não gosta? Agora vai trabalhar que eu também tenho mais o que fazer.
Dizendo isso, coloquei uma nota e algumas moedas em cima do balcão. Ele pegou e saiu. Durante a tarde, o restaurante não teve muito movimento, então o dia foi tranquilo. Enquanto não estava servindo, sentava atrás do balcão e lia as anotações que fiz pela manhã no colégio. Sai do restaurante e fui para casa, tomei um banho e comecei a ler o livro que a professora de literatura havia pedido. Estava exausta, não aguentei e dormi.

A criança que há em cada um

O tempo passa, nos tornamos adultos e quanto mais idade temos, maiores são nossas responsabilidades e nossos compromissos, mas isso ainda sim não é desculpa para voltarmos um pouquinho no passado e relembrar de quantas vezes não nos sujamos de lama, choramos quando o Papai-Noel não trazia presentes ou caímos de bicicleta. Mas o dia das crianças não é só para crianças. Qual de nós não tem uma criança viva ainda? Quantas vezes, por maiores que possamos ser não sentimos vontade de brincar de esconder, de pegar, jogar bola ou qualquer outra coisa? Quantas vezes, quando estamos em apuros, não sentimos vontade de chorar no colo da mãe enquanto ela faz “cafuné” em nossa cabeça? Quantas vezes desperdiçamos os pequenos momentos por vergonha, por achar que não podemos, só porque somos grandes? Enquanto isso, quantos pequeninos e jovens não queriam estar na rua andando de bicicleta, jogando bola, longe de uma cama de hospital ou longe dos problemas de uma família mal estruturada, onde pais só brigam, onde falta amor e carinho? Portanto, que este não seja o dia só da criança que há em nós, mas que possamos ter um pouco de consideração e lembrar que este é o dia de todas as outras crianças, sem distinção alguma, sem preconceito algum. Feliz dia das crianças a todos vocês! HAHAHA


Primeira foto: 7 meses; segunda foto: 4 anos;
terceira foto: 6 anos

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Psicose Nova-Iorquina

Sai do café e fui andando pela calçada. O dia estava agradável e meu café exalava um delicioso odor forte e quente. Não sou a mais bem vestida, mas pelo menos nua não me encontrava. Era despojada e pouco me importava o que aqueles otários estranhos, os quais nunca me viram na vida, pensavam quando me viam vestindo uma blusa de alcinha, um short de cintura alta curto e meu coturno solto. Meu longo cabelo loiro se perdia no vento e toda vez que eu tentava ajeita-lo, mesmo sabendo do fracasso que seria, meus anéis acabavam bagunçando-o novamente. Meu óculos de sol embaçava toda hora e antes que eu me irritasse com pouquíssima coisa, tirei e coloquei por cima da cabeça. Mensagens chegando, mas nenhuma interessante a não ser promoções ou prazo de recargas. Então enfiei meu celular no bolso e continuei andando, pensando a mesma coisa olhando para diferentes faces. Um turbilhão passava pela minha cabeça e não era nada demais, era apenas indignação de quem não era escrava, seja da moda, seja da rotina Nova-Iorquina, do modo de vida de todos aqueles outros. Ao som de uma música que escutava andava pela calçada, as vezes balançava a cabeça, as vezes murmurava algum trecho do refrão, as vezes batia palmas e ria, fazendo com que todos me olhassem. Otários, digo otários porque estão o tempo todo preocupados com o zelo de sua imagem e esquecem de viver a alegria que sentem, mas isso não significava que eu estivesse feliz. Não. Aquela música era animada e levantava meu astral, embora eu não dispensasse meu doce e adorável Rock’n’Roll. Passando em frente à uma loja de instrumentos musicais, reparei em alguns CD’s que estavam expostos na vitrine e resolvi entrar e entre as prateleiras encontrei aquelas nojentas do colégio, aquelas “filhinhas de papai” mimadas que, quando abrem as bocas, reclamam da unha quebrada, da maquiagem mal feita, da roupa mau passada. Para minha infelicidade, a prateleira de Rock ficava praticamente ao lado de POP e ao perceber que eu estava ali, elas começaram a cochichar, entre risinhos e pequenos gestos. Era sobre mim. Olhei bem para a cara delas e mostrei o dedo a elas.
- Fodam-se, vadiazinhas mimadas.
Sai da loja morrendo de rir sozinha e esbarrando em muitas pessoas que não paravam de me olhar. Me deixem quieta. Esse é o meu jeito. Meu nome é Melina e esse é o começo de uma possível Psicose Nova-Iorquina.

Três de outubro daquele dia

Um “boom” estourou na tarde de três de outubro. A notícia, que foi passada de pessoa para pessoa, se espalhou rapidamente e toda aquela região ficou sabendo do acontecimento. Parecia que um grupo de jovens manifestantes de classe média entraram em uma zona eleitoral com esferas maciças de ferro na mão, pedras e grossos balaústres de madeira e depredaram urnas, rasgaram papéis e toda essa “baderna” resultou no ferimento de oito mesários que trabalhavam no dia da eleição. Houve muito tumulto e muita correria, porque os cidadãos que ainda não tinham votado corriam para as saídas mais próximas, derrubando muitos idosos no chão, empurrando gestantes, ferindo outras pessoas que esperavam sua vez para votar. Enquanto ouviam-se carros cantando os pneus ao redor do prédio e ambulâncias entrando no pátio, muitos policiais já se encontravam dentro do mesmo, com cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo, e os enfermeiros iam até os feridos, mas qualquer tentativa de contenção parecia impossível. Eles estavam em grande quantidade e possuíam grande agilidade, eram determinados, destemidos e estavam pouco se importando com os homens da polícia. Luzes brancas começaram a surgir e, seguidas de “snaps”, pouco a pouco os repórteres enchiam o local, que agora parecia um caldeirão fervendo, borbulhando por todos os lados. Houve muita gritaria e muita resistência por parte dos manifestantes e dos policiais, mas pouco a pouco eles foram pegos e levados da maneira brutal aos carros da polícia. Os repórteres grudaram nos vidros dos carros de maneira que parecia com que eles passariam para o lado de dentro por osmose ou algo do tipo. Aos poucos e em alta velocidade, os manifestantes foram levados para a delegacia e por lá todas as medidas judiciais cabíveis a eles foram tomadas. Toda aquela população ferida foi encaminhada à hospitais próximos dali e aqueles que possuíam leves ferimentos foram atendidos nas ambulâncias ali mesmo. No dia seguinte, muros pichados, muito entulho nas valetas, cartazes espalhados por todos os lugares com mensagens como “Chega de espetáculo circense!” ou “Vamos crescer, evoluir!” estavam espalhados pela cidade. Enquanto os garis varriam as ruas, o pessoal que trabalhava para os jornais locais aceleravam suas motos e jogavam a uma certa distância jornais em todas as casas, com a reportagem completa daquele “circo de horrores” que houve no dia anterior. Os cidadãos liam e suas expressões não eram absurdas, pelo menos em meu rosto não. Aqueles manifestantes mereciam apoio, pois o horário eleitoral mais parecia um programa humorístico do que uma prévia de cada candidato para cuidar do nosso país, nosso bebê indefeso que não merecia tanta desgraça. Eu, Dirceu, apoio todo esse protesto e fico indignado com tamanho desprezo por nossa nação. “Que isso sirva para que nossos direitos possam valer alguma coisa.” Acendi meu cigarro e sai com o jornal dobrado debaixo do braço, sentindo que aquele três de outubro chamou a atenção dos palhaços que estão tomando conta deste país.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nota

Bem, queria pedir desculpas para aqueles que liam meu blog pelo tempo sem postar. Desanimei um pouco e resolvi abandoná-lo, mas acho que deixar tudo parado aqui não é o que eu realmente queria. Pretendo postar novos textos em breve. Não excluirei os mais velhinhos, mas muitos outros novos surgirão com novos formatos, novas ideias. Para os que lêem (ou liam HAHA), continuem lendo. Beijos a todos e obrigada ;D

Ana Carolina M.

sábado, 24 de abril de 2010

Quem sabe um dia...

Quando eu crescer quero ser diferente, vou tentar fazer tudo o que não fiz, vou tentar ser o que não fui, vou viver a vida com mais intensidade e vou cometer menos erros. Vou conhecer o mundo melhor e entrar nessa escola, vou aprender as regras da vida e quebrar menos minha cara. Vou sempre lembrar que meus pais me amam e nunca me compraram, nunca me enganaram e me ensinaram que na vida, para crescer, basta dar um passo de cada vez para não tropeçar, para não correr e se dar mal; vou ser sempre grata a todas as pessoas que estiveram ao meu lado me dando força e me apoiando quando eu mais precisei, e também aquelas que abriram meus olhos e conseguiram vencer minha teimosia, não importa quanto isso tenha sido difícil ou demorado. Tem mais. Também quero ser uma pessoa que não liga para quem critica ou quem inveja, quero ser original e me vestir, me maquiar, ter meus gostos sem me importar com o que as pessoas pensam ao meu respeito. Viverei em paz sabe, é triste ver os telejornais noticiando tanta guerra, tanta lágrima de sangue como vemos hoje em dia. O mundo precisa de paz, pois parece que no lugar de pessoas existem robôs que não possuem um coração de carne, mas sim um pequeno órgão metálico com parafusos e óleo para que não pare ou não se solte. Algo que nunca esqueço, desde pequena, é que quando eu crescer, nos momentos de desespero e dificuldade, antes de sair atacando o primeiro que ver em minha frente vou pensar duas vezes e se cometer algum erro, vou perdoar. Perdoar para não remoer culpa, para não ficar com a consciência pesada e continuar o que sempre sonhei sem empates em meu caminho. Ah se eu pudesse fazer metade disso, metade da metade, a minúscula parte que seja...


Carpe Diem, do latim aproveite o momento.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Qual é o valor dos sonhos?

deSonhar, querer, crescer, realizar, as ideias de tudo isso caminham juntas? Mesmo não parecendo, as vezes elas caminham. Se viver é uma luta, sonhar faz parte dessa guerra. Não tão simples como parece, mas não impossível. Para que nossos sonhos se realizem é necessária muita fé e esperança, temos que estar preparados sempre, pois em meio a tantos objetivos temos que quebrar as correntes que nos prendem e correr atrás. Porém nem sempre isso dá certo. As vezes falta vontade, as vezes faltam pessoas ao nosso lado dizendo que podemos, que conseguiremos, nos dando todo o apoio que precisamos. As vezes falta um pouco de realidade para encarar as situações e aguentar toda a pressão e todo o cansaço. Assim como eu e você, existem pessoas que também vão querer se destacar entre os melhores e esconderão no mais fundo de seu íntimo seu medo, sua fraqueza e aquele sentimento minúsculo e insignificante de insegurança e pessimismo, que por menor que seja ainda existe e em momentos se faz presente. Tem que lutar, não se abater, se entregar e não se arrepender; tem que mergulhar de cabeça e não olhar para trás, sorrir por mais tenso que possamos estar. Esperança, otimismo e se não der certo, não se dar por vencido. Sempre que uma porta se fecha, após tudo o que passamos há uma lição a se aprender, novas oportunidades surgirão e o tempo nos colocará em novos caminhos.
Por: Ana Carolina M.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mudar, tornar diferente.

Que bom seria se cada pessoa que habitasse o mundo soubesse ser agradável por inteira. Se pararmos para pensar, o mundo seria um pouco monótono, mas seria perfeito, pois ninguém nos olharia com cara feia, não pensaria mal a nosso respeito, não brigaria nem invocaria conosco, afinal, seríamos totalmente legais, simpáticos e belos. Mas não é assim. Infelizmente, as pessoas nos encaram com olhares nem sempre bons antes mesmo de conhecer quem realmente cada um é, sem conhecer a aparência interior de cada um. É aqui que muitos se enganam. Existem pessoas boas nesse mundo, que de qualquer forma tentam agradar a todos da melhor maneira possível, as vezes esquecendo de si mesmo, o que não poderia acontecer, mas existem aquelas pessoas que se mascaram e fingem ser o que não são, nunca foram e nunca poderão ser. A estas pessoas e a todas as outras, não se deve desejar o mal, apenas temos de tentar fazer com que elas vejam que cada pessoa pode ser agradável e legal apesar das divergências, afinal, ninguém é igual (ainda bem). Aparência física, roupa, popularidade, dinheiro não fazem das pessoas mais ou menos legais, a falta de conhecimento é que torna a ideia de qualquer pessoa ignorante. É, só podemos contar com o tempo e esperar que as pessoas mudem e passem a sorrir mais.

Por: Ana Carolina M.