Psicose Nova-Iorquina - Capítulo VII
“Eu escutei a porta abrir e fiquei surpresa com a visita.”
- Oi.
- O que está fazendo aqui?
- Não iria deixar minha amiga na mão.
- Ninguém te avisou Átila, como você sabia da minha situação se não estávamos nem se vendo?
- Não interessa Mel, mas não vou deixar você sozinha enfrentando isso, não mesmo. Se precisar é só falar. Eu estou de carro, se quiser busco roupas ou qualquer outra coisa que precisar.
- Nesse momento não preciso de nada, mas obrigada.
Melina puxou uma cadeira e colocou perto dela. Átila sentou-se e ela contou desde a história do programa envolvendo o advogado até o suporte que ele estava dando naquele momento. Sua mãe começou a se mexer na cama. Levantou-se e foi a seu lado.
- O que eu estou fazendo aqui?
- Você quase vomitou o próprio fígado. Como tenho uma mísera compaixão por você, cuidei para que fosse internada. Sabe aquele advogado para quem deu? Agradeça a ele, pois está nos ajudando muito.
Melina saiu do quarto e bateu a porta. Átila levantou-se e foi até Rita.
- Ela está muito nervosa, de verdade. Por favor, desculpe-a.
Ela acenou com a cabeça e voltou a dormir. Parece que não se importou muito. Átila encontrou a amiga sentada na calçada, com a cabeça entre as pernas. Ele chegou e sentou ao seu lado, puxando seu corpo para cima. Abraçou-a.
- Chore Melina, você não é mulher maravilha, não pode continuar calada, aguentando tudo ou não.
Chorou silenciosamente e suas lágrimas transformavam seus olhos em duas pérolas negras, brilhantes.
***
Passaram-se alguns dias e a mãe de Melina teve alta. Ela fez questão de quebrar todas as garrafas de bebida de sua casa, jogou fora os maços de cigarro, ajeitou aquele inferno. Aspirou a casa, jogou os lençóis fedidos fora, abriu as janelas e deixou o sol e o vento fresco entrar. O ódio que sentia ainda não havia sido diluído e estava fazendo aquilo por conta própria, sabendo ou não se Rita queria.
- Não sei qual a finalidade disso tudo, filha.
- Não me chame de filha e cale a boca.
- Você deve me respeitar menina!
- Se eu pudesse teria dado um tapa nessa sua cara. Você é uma ingrata. Aposto que já voltou a dar. Tanto esforço para nada.
- Não me tire do sério Melina, eu sou sua mãe.
- Não, você é uma vadia! Mãe de verdade não faz o que você fez a vida toda.
Dizendo isso foi para seu quarto, enfiou umas roupas em uma pequena mala, pegou sua mochila, algumas outras coisas e saiu. A vizinhança ouvia os gritos.
- Onde você vai?
- Para qualquer lugar longe de você e deste inferno. Foda-se!
Melina acenou para o primeiro táxi que apareceu em seu caminho e foi para a casa de Átila. O amigo abriu a porta assim que ela chegou, olhou-a espantado. Ela começou a falar antes mesmo dele respirar:
- Preciso passar alguns dias aqui. Se precisar, faço hora extra no restaurante para pagar comida, água, luz, telefone, seja o que for. Ajudo a limpar casa, faço compras, qualquer coisa.
- Massagem em mim?
- Viado.
Só Tilanga mesmo para fazê-la rir. Ela entrou e instalou-se na casa dele.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
A droga mais potente que qualquer outra
Psicose Nova-Iorquina - Capítulo VI
Talvez eu seja facilmente notada, notada por esse jeito não social, apenas sociável. Talvez ser tão “fechada”, tão calada possa me fazer mal. Minha vida está uma droga e sinto que aos poucos vou perdendo uma parte de mim. Primeiro brigo com Átila e agora minha mãe cai doente na cama. Estou sem meu melhor amigo, minha mãe e embora possa contar com Lavínia e Verônica, a vergonha sempre me deixa sozinha. Minha mãe bebe muito e por isso ela acabou desenvolvendo problemas sérios que necessitavam de internação, tratamento e medicamentos. Não temos grandes condições e apesar do quadro ser inicial, não possuimos muito dinheiro ou qualquer outro tipo de recurso para tratá-la. Estava utilizando a lista telefônica e lembrei de um advogado que minha mãe contratou a muito tempo atrás. Contratou só porque deu para ele. Biscate, falo isso porque sei o motivo dela ser tão afastada da minha vida, de sair a maior parte do tempo, de esquecer que me colocou no mundo e agora está ai, morrendo. Ela deveria me agradecer, pois poderia muito bem deixa-la morrer. Realmente ainda resta algo bom em mim. Liguei para o advogado:
- Doutor Daniel Liroff, sou Melina, filha de Rita.
- Rita...?
- Rita Vedova.
- Ah sim, em que posso ajudar?
- Poderia falar com o senhor pessoalmente em seu escritório?
- Posso atende-la as duas e meia.
- Estarei ai. Até breve.
Minha mãe estava no hospital em observação. Ela passou mal e foi levada. Não sabia por quanto tempo ficaria lá ou se seria internada de uma vez por todas. Sai de casa duas horas e passei no restaurante para falar com meu chefe. Liberou-me, mas tive um pequeno desconto no salário. Isso era o menor dos problemas. Cheguei no escritório, um lugar muito bem decorado, simples mas imponente. Um ambiente sério, silencioso. Esse silêncio causava até desconforto, confesso.
- Sente-se.
- Obrigada.
- O que a traz aqui, senhorita Verona?
- Melina, por favor. Bem, minha mãe está com problemas de saúde e como sou menor não posso fazer muito por ela. O médico disse que ela precisa de internação, precisa de medicamentos e tudo isso deveria ser feito por alguém que respondesse, legalmente, por mim. Não tenho ninguém, então estou pedindo ajuda ao senhor.
- Olha, pode demorar para conseguir algo realmente eficaz, mas posso assinar papéis para internação. Dado este primeiro passo, veremos a situação e faremos o que for preciso. Claro que a colocarei a par de tudo, quanto a isso não se preocupe.
- E quanto essa ajuda custará?
- Falaremos disso depois.
- Desde já agradeço.
Apertei a mão dele e sai. Fui para o hospital e o médico confirmou a necessidade da internação. Falei com ele e fui passar um tempo com ela. Quando cheguei no quarto, ela estava deitada em uma maca, pálida. Vê-la naquele estado partia meu coração, embora ela não fosse a mãe que gostaria de ter e nunca seria. Quando foi mãe? Ela estava sedada e eu sentei em uma cadeira, olhando ela, pensando nessa droga de vida. Apoiei meus cotovelos nos braços da cadeira e segurei minha cabeça, de olhos fechados, querendo apenas respirar aquele cheio de hospital e esvaziar minha cabeça, sem pensar em absolutamente nada. Eu escutei a porta abrir e fiquei surpresa com a visita.
Talvez eu seja facilmente notada, notada por esse jeito não social, apenas sociável. Talvez ser tão “fechada”, tão calada possa me fazer mal. Minha vida está uma droga e sinto que aos poucos vou perdendo uma parte de mim. Primeiro brigo com Átila e agora minha mãe cai doente na cama. Estou sem meu melhor amigo, minha mãe e embora possa contar com Lavínia e Verônica, a vergonha sempre me deixa sozinha. Minha mãe bebe muito e por isso ela acabou desenvolvendo problemas sérios que necessitavam de internação, tratamento e medicamentos. Não temos grandes condições e apesar do quadro ser inicial, não possuimos muito dinheiro ou qualquer outro tipo de recurso para tratá-la. Estava utilizando a lista telefônica e lembrei de um advogado que minha mãe contratou a muito tempo atrás. Contratou só porque deu para ele. Biscate, falo isso porque sei o motivo dela ser tão afastada da minha vida, de sair a maior parte do tempo, de esquecer que me colocou no mundo e agora está ai, morrendo. Ela deveria me agradecer, pois poderia muito bem deixa-la morrer. Realmente ainda resta algo bom em mim. Liguei para o advogado:
- Doutor Daniel Liroff, sou Melina, filha de Rita.
- Rita...?
- Rita Vedova.
- Ah sim, em que posso ajudar?
- Poderia falar com o senhor pessoalmente em seu escritório?
- Posso atende-la as duas e meia.
- Estarei ai. Até breve.
Minha mãe estava no hospital em observação. Ela passou mal e foi levada. Não sabia por quanto tempo ficaria lá ou se seria internada de uma vez por todas. Sai de casa duas horas e passei no restaurante para falar com meu chefe. Liberou-me, mas tive um pequeno desconto no salário. Isso era o menor dos problemas. Cheguei no escritório, um lugar muito bem decorado, simples mas imponente. Um ambiente sério, silencioso. Esse silêncio causava até desconforto, confesso.
- Sente-se.
- Obrigada.
- O que a traz aqui, senhorita Verona?
- Melina, por favor. Bem, minha mãe está com problemas de saúde e como sou menor não posso fazer muito por ela. O médico disse que ela precisa de internação, precisa de medicamentos e tudo isso deveria ser feito por alguém que respondesse, legalmente, por mim. Não tenho ninguém, então estou pedindo ajuda ao senhor.
- Olha, pode demorar para conseguir algo realmente eficaz, mas posso assinar papéis para internação. Dado este primeiro passo, veremos a situação e faremos o que for preciso. Claro que a colocarei a par de tudo, quanto a isso não se preocupe.
- E quanto essa ajuda custará?
- Falaremos disso depois.
- Desde já agradeço.
Apertei a mão dele e sai. Fui para o hospital e o médico confirmou a necessidade da internação. Falei com ele e fui passar um tempo com ela. Quando cheguei no quarto, ela estava deitada em uma maca, pálida. Vê-la naquele estado partia meu coração, embora ela não fosse a mãe que gostaria de ter e nunca seria. Quando foi mãe? Ela estava sedada e eu sentei em uma cadeira, olhando ela, pensando nessa droga de vida. Apoiei meus cotovelos nos braços da cadeira e segurei minha cabeça, de olhos fechados, querendo apenas respirar aquele cheio de hospital e esvaziar minha cabeça, sem pensar em absolutamente nada. Eu escutei a porta abrir e fiquei surpresa com a visita.
domingo, 24 de outubro de 2010
Quinze minutos com meus pensamentos
Eu sentia as consequências das minhas aflições em meu próprio corpo. Eu me sentia mal, se pudesse estaria rastejando, pois minha cabeça pesava, pesava demais. Eu poderia ter posto tudo a perder, ser grosso, transformar tudo em nada de um minuto para outro, mas decidi parar e prestar atenção em meus pensamentos. Eu estava sentando numa mesa larga, de madeira escura, com as mãos apoiando a cabeça. Fechei os olhos, respirei fundo e deixei que meus pensamentos vagassem livremente pelo espaço daquele quarto. Parecia que um filme passava na minha cabeça e eu estava repensando tudo aquilo que vivi, tudo aquilo que senti, tudo aquilo que provou, que me colocou e coloca em teste o tempo todo. Paciência, desespero, otimismo, talvez. Era como se eu tirasse-os e colocasse-nos em uma “penseira”, observando os próprios pensamentos boiarem naquela água prata e límpida. Eu vi que não valia a pena me desgastar por tão pouco e as vezes acabava fazendo tudo do jeito inverso. Eu inspirei profundamente, soltei o ar, inspirei e soltei vagarosamente e o sino começou a badalar. Eu tentava contar quantas badaladas aquele sino dava, mas perdia a conta facilmente. Aquele barulho tão distante parecia tão suave, era como se estivesse deitado em nuvens, voando, leve. Parece até que meus pensamentos adquiriam a forma humana e paravam de me rodear cada vez que o sino badalava. Depois acabou e o silêncio tomou conta de mim. Eu deveria fazer esta experiência mais vezes, pois é extremamente prazerosa e relaxante. Tirei meus sapatos e minhas meias, coloquei meus pés sobre a mesa, tirei meu óculos, cocei levemente meus olhos e inclinei para trás. Não, eu não iria dormir, mas queria aquela paz por quinze minutos, só isso. Eu pensava na minha vida, que boa ou não, era a minha vida. Óbvio. Como era óbvio o ser humano perceber que nossa vida possui fases, cujas não são as melhores sempre e o que vale é tentar se acalmar, é tentar relaxar, para não ter dores como eu tinha. Meus ombros pesavam tanto quanto minha cabeça pesou no começo. Agora não mais. Um cheiro entrava pela minha narina e eu ri. Era o odor que meus pés suados exalavam. Eu simplesmente ri daquilo e vi que estava na hora de tomar banho. Coloquei novamente meus pés no chão e fui a caminho do banho, deixar com que a água escorresse da cabeça aos pés, me lavasse de corpo e alma.
Um medo repentino
Psicose Nova-Iorquina - Capítulo V
- Melina, você é descontrolada? Você precisa de remédios, sinceramente.
- Átila, você acha que eu ia deixar barato? Não mandei aquela piranha mexer comigo, ela mereceu apenas.
Melina estava sentada na cadeira com os pés sobre a cama de Átila, onde ele estava deitado escutando a amiga desajuizada contar o que havia aprontado.
- Tudo bem que foi meio sem controle, mas eu gostei. Essa é minha garota!
- Tilanga, Tilanga, sou uma caixinha de surpresas.
Naquela tarde, os dois estavam de folga.
- Tilanga, vamos tomar café? Eu quero sair, seu quarto está quente, abafado e fedido, como sempre foi.
- E você sempre amorosa, doce, cheia de elogios.
Átila sentou na cama, colocou o tênis e foi se levantando. Saíram para a rua e foram até o café, onde Melina sempre ia. A garçonete veio, anotou os pedidos e eles continuaram conversando, rindo, se divertindo em qualquer lugar a qualquer hora. Melina foi ao banheiro e uma moça chegou na mesa em que Átila estava e entregou um papel com um número de telefone e um beijo. A garota saiu.
“Louise 555-6352”
Ao perceber que Melina voltava, não conseguiu esconder o bilhete e a garota viu.
- Agora minha inimiga quer me atacar? Truque bem barato.
- Mel, até que ela é bonitinha. Com um charme eu pego ela fácil.
Melina olhou Átila com um olhar mortal até que a garçonete chegou e colocou os cafés e uns biscoitinhos na mesa.
- Filho da puta. Alana não te merecia.
- É brincadeirinha meu amor! HAHAHA
Ela jogou um biscoito nele e os dois começaram a rir. Aquela tarde foi muito agradável, mesmo com esse rastro indesejado de inimigo no território. Andaram pela Dacown Street, correram pelo parque e no fim da tarde foram para casa.
No dia seguinte, ela foi cedo para o colégio e pela tarde para o restaurante. Átila entregou rapidamente as correspondências no restaurante e disse apenas “estou atrasado, depois do trabalho eu passo aqui te pegar”. Mel entendeu que não daria para conversar naquela hora e acenou para ele. Ao final do dia, o chefe teve uma conversa com os funcionários, algo breve que acabou resultando em atraso. Quando Melina saiu do restaurante e viu que Átila estava conversando com uma moça, parou de falar:
- Desculpa pelo atraso, mas eu estav...
Parou diante daquela cena. Louise estava praticamente colada à Átila.
- Ok, Átila.
Começou a andar rápido enquanto Átila se despedia da garota e ia atrás dela.
- Ei, porque não me esperou?
- Acho que você estava suficientemente ocupado.
- Melina, que isso agora? Vai ficar com ciúmes?
- Não é ciúmes seu imbecil, mas você sabe o quanto eu odeio aquela garota. As vezes eu penso que você tem prazer em me deixar louca, se já não for.
- Para Melina!
- Se liga Átila!
- Porque não posso conversar com as garotas? Só porque você não gosta delas?
- A questão não é essa. Você apóia minhas atitudes com relação a essa garota e depois fica ai se esfregando nela? Belo amigo você. Daqui uns dias vai falar tudo o que penso a respeito, o que pretendo fazer. Não estou reconhecendo mais o Átila de antes, que tem prazer em humilhar quem merece.
- Para com essa psicose Melina! Para!
- Ou ela ou eu.
Saiu e se enfiou pelas ruas. Ao chegar em casa, sua mãe estava ausente como sempre foi e a garota se sentia mais sozinha do que nunca naquele momento. Bateu a porta e pegou o porta retrato com a foto dela e de sua mãe.
- Droga de falsidade!
Jogou na parede. Melina nunca tinha feito algo por aquele amigo. Sim, lágrimas molhavam seu rosto. Talvez o medo fosse maior que o ódio naquele momento.
- Melina, você é descontrolada? Você precisa de remédios, sinceramente.
- Átila, você acha que eu ia deixar barato? Não mandei aquela piranha mexer comigo, ela mereceu apenas.
Melina estava sentada na cadeira com os pés sobre a cama de Átila, onde ele estava deitado escutando a amiga desajuizada contar o que havia aprontado.
- Tudo bem que foi meio sem controle, mas eu gostei. Essa é minha garota!
- Tilanga, Tilanga, sou uma caixinha de surpresas.
Naquela tarde, os dois estavam de folga.
- Tilanga, vamos tomar café? Eu quero sair, seu quarto está quente, abafado e fedido, como sempre foi.
- E você sempre amorosa, doce, cheia de elogios.
Átila sentou na cama, colocou o tênis e foi se levantando. Saíram para a rua e foram até o café, onde Melina sempre ia. A garçonete veio, anotou os pedidos e eles continuaram conversando, rindo, se divertindo em qualquer lugar a qualquer hora. Melina foi ao banheiro e uma moça chegou na mesa em que Átila estava e entregou um papel com um número de telefone e um beijo. A garota saiu.
“Louise 555-6352”
Ao perceber que Melina voltava, não conseguiu esconder o bilhete e a garota viu.
- Agora minha inimiga quer me atacar? Truque bem barato.
- Mel, até que ela é bonitinha. Com um charme eu pego ela fácil.
Melina olhou Átila com um olhar mortal até que a garçonete chegou e colocou os cafés e uns biscoitinhos na mesa.
- Filho da puta. Alana não te merecia.
- É brincadeirinha meu amor! HAHAHA
Ela jogou um biscoito nele e os dois começaram a rir. Aquela tarde foi muito agradável, mesmo com esse rastro indesejado de inimigo no território. Andaram pela Dacown Street, correram pelo parque e no fim da tarde foram para casa.
No dia seguinte, ela foi cedo para o colégio e pela tarde para o restaurante. Átila entregou rapidamente as correspondências no restaurante e disse apenas “estou atrasado, depois do trabalho eu passo aqui te pegar”. Mel entendeu que não daria para conversar naquela hora e acenou para ele. Ao final do dia, o chefe teve uma conversa com os funcionários, algo breve que acabou resultando em atraso. Quando Melina saiu do restaurante e viu que Átila estava conversando com uma moça, parou de falar:
- Desculpa pelo atraso, mas eu estav...
Parou diante daquela cena. Louise estava praticamente colada à Átila.
- Ok, Átila.
Começou a andar rápido enquanto Átila se despedia da garota e ia atrás dela.
- Ei, porque não me esperou?
- Acho que você estava suficientemente ocupado.
- Melina, que isso agora? Vai ficar com ciúmes?
- Não é ciúmes seu imbecil, mas você sabe o quanto eu odeio aquela garota. As vezes eu penso que você tem prazer em me deixar louca, se já não for.
- Para Melina!
- Se liga Átila!
- Porque não posso conversar com as garotas? Só porque você não gosta delas?
- A questão não é essa. Você apóia minhas atitudes com relação a essa garota e depois fica ai se esfregando nela? Belo amigo você. Daqui uns dias vai falar tudo o que penso a respeito, o que pretendo fazer. Não estou reconhecendo mais o Átila de antes, que tem prazer em humilhar quem merece.
- Para com essa psicose Melina! Para!
- Ou ela ou eu.
Saiu e se enfiou pelas ruas. Ao chegar em casa, sua mãe estava ausente como sempre foi e a garota se sentia mais sozinha do que nunca naquele momento. Bateu a porta e pegou o porta retrato com a foto dela e de sua mãe.
- Droga de falsidade!
Jogou na parede. Melina nunca tinha feito algo por aquele amigo. Sim, lágrimas molhavam seu rosto. Talvez o medo fosse maior que o ódio naquele momento.
Beijo doce
Psicose Nova-Iorquina - Capítulo IV
Melina chegou no colégio na semana seguinte e parecia que aquela semana seria mais tranquila, sem garotas enchendo ou caras pedindo seu telefone. Na sala ela conversava com duas meninas, Lavínia e Verônica. Não eram suas melhores amigas, mas tinha boa afinidade com elas. Quando precisavam, discutiam algo sobre a matéria ou mesmo riam e conversavam a aula toda. Lav e Vê, como eram carinhosamente chamadas, tinham até o mesmo estilo de Melina, curtiam rock e usavam roupas sem se importar muito com os outros. Naquela semana ela chegou no colégio e conversando com as meninas contou o que tinha feito, perguntou se elas saíram fim de semana e tudo mais. Lavínia disse que foi em um restaurante grego, por sinal maravilhoso e acabou conhecendo um rapaz. Trocaram ideias, conversaram bastante e ele parecia muito interessante. Já Verônica preferiu ir para a balada, beber e dançar.
- Lav, mas você não pensa em namorar com o cara não, né?
- Mel, não sei de nada ainda. Ele é bem interessante, mas eu queria sair com vocês sem compromisso também.
- Vamos combinar que não dá para ir a uma balada com namorado Lavínia.
Lavínia ficou pensativa e Verônica sorria. Inesperadamente a nojentinha da sala chegou perto das meninas e começou a irritar Melina como de costume.
- As notícias correm, Mel.
- O que você sabe? Que eu saiba não fiz nada demais e nada que diga respeito a você. Se ligue, otária.
- Fim de balada é mesmo tão interessante, não é Melina? Mas espere aí, será que você deu um fora no garoto ou ele não quis você mesma?
Dizendo isso se virou e foi para o grupo dela. Mel olhou para suas amigas e sorriu, mas aquele sorriso não era de quem deixaria barato.
- Ela verá.
Verônica disse:
- O que você vai aprontar?
- Na quadra eu conto, ou melhor, eu faço.
Passadas algumas aulas, as meninas saíram do laboratório e trocaram aquelas roupas brancas pelo short e foram para a quadra. As amigas de Melina também eram muito bonitas. Mesmo tendo poucos amigos, elas arrancavam olhares dos garotos.
- Olha, olha quem chegou: a pegadora e suas amigas estranhas.
Melina respondeu a altura:
- Somos tão estranhas que até seu namoradinho nos olha com um short curto e uma blusa colada. Se cuida hein.
- Não mexe com ele.
- Uh, eu acho que estou morrendo de medo. HAHAHAHA!
Provocando sua inimiga, saiu de perto e foi jogar. Os meninos jogavam futebol, enquanto as meninas se dividiram em dois times para jogar vôlei. A nojentinha combinava algo, cheia de segredos com as meninas do seu time e olhava imediatamente para ela, como se quisesse dar um aviso. Ao ver que o jogo começou (e muito quente por sinal), os garotos vieram para perto da quadra ver, abandonando bolas e coletes no campo. A cada ponto marcado, aquela garota comemorava com o time e beijava seu namorado, não desgrudando o olho de Mel em momento algum. Assim que a bola foi para fora, ouviu-se um grito:
- Sou eu quem vai sacar agora.
- Meninas, parece que a estranha vai jogar agora? Vamos Melina, impressione os rapazes. Quem sabe assim algum te olhará!
Dito e feito. Sacou, marcou ponto e os rapazes a olharam. Parece que sua adversária não gostou muito após flagrar seu namoradinho cochichando e olhando para Melina. Em um súbito ataque, começou a gritar:
- Sua vadia, tire o olho do meu namorado senão eu acabo com sua vida!
Escutou-se um estalo e Melina levou suas mãos ao rosto. Ela tinha levado um tapa. Enquanto os garotos gritavam “wow”, Mel se dirigiu ao lugar onde estavam os garotos, olhou para aquela menina e disse:
- Você pediu.
Deu um beijo no namorado de Louise. O cara do time de futebol realmente tinha gostado, porque não poupou apertos ou mesmo tentou interromper aquele beijo. O sinal tocou, Melina desgrudou dele e ao piscar para Louise, saiu andando. É, parece que dessa vez quem realmente atraiu os olhares foi ela, com sua cara desiludida sob prantos.
Melina chegou no colégio na semana seguinte e parecia que aquela semana seria mais tranquila, sem garotas enchendo ou caras pedindo seu telefone. Na sala ela conversava com duas meninas, Lavínia e Verônica. Não eram suas melhores amigas, mas tinha boa afinidade com elas. Quando precisavam, discutiam algo sobre a matéria ou mesmo riam e conversavam a aula toda. Lav e Vê, como eram carinhosamente chamadas, tinham até o mesmo estilo de Melina, curtiam rock e usavam roupas sem se importar muito com os outros. Naquela semana ela chegou no colégio e conversando com as meninas contou o que tinha feito, perguntou se elas saíram fim de semana e tudo mais. Lavínia disse que foi em um restaurante grego, por sinal maravilhoso e acabou conhecendo um rapaz. Trocaram ideias, conversaram bastante e ele parecia muito interessante. Já Verônica preferiu ir para a balada, beber e dançar.
- Lav, mas você não pensa em namorar com o cara não, né?
- Mel, não sei de nada ainda. Ele é bem interessante, mas eu queria sair com vocês sem compromisso também.
- Vamos combinar que não dá para ir a uma balada com namorado Lavínia.
Lavínia ficou pensativa e Verônica sorria. Inesperadamente a nojentinha da sala chegou perto das meninas e começou a irritar Melina como de costume.
- As notícias correm, Mel.
- O que você sabe? Que eu saiba não fiz nada demais e nada que diga respeito a você. Se ligue, otária.
- Fim de balada é mesmo tão interessante, não é Melina? Mas espere aí, será que você deu um fora no garoto ou ele não quis você mesma?
Dizendo isso se virou e foi para o grupo dela. Mel olhou para suas amigas e sorriu, mas aquele sorriso não era de quem deixaria barato.
- Ela verá.
Verônica disse:
- O que você vai aprontar?
- Na quadra eu conto, ou melhor, eu faço.
Passadas algumas aulas, as meninas saíram do laboratório e trocaram aquelas roupas brancas pelo short e foram para a quadra. As amigas de Melina também eram muito bonitas. Mesmo tendo poucos amigos, elas arrancavam olhares dos garotos.
- Olha, olha quem chegou: a pegadora e suas amigas estranhas.
Melina respondeu a altura:
- Somos tão estranhas que até seu namoradinho nos olha com um short curto e uma blusa colada. Se cuida hein.
- Não mexe com ele.
- Uh, eu acho que estou morrendo de medo. HAHAHAHA!
Provocando sua inimiga, saiu de perto e foi jogar. Os meninos jogavam futebol, enquanto as meninas se dividiram em dois times para jogar vôlei. A nojentinha combinava algo, cheia de segredos com as meninas do seu time e olhava imediatamente para ela, como se quisesse dar um aviso. Ao ver que o jogo começou (e muito quente por sinal), os garotos vieram para perto da quadra ver, abandonando bolas e coletes no campo. A cada ponto marcado, aquela garota comemorava com o time e beijava seu namorado, não desgrudando o olho de Mel em momento algum. Assim que a bola foi para fora, ouviu-se um grito:
- Sou eu quem vai sacar agora.
- Meninas, parece que a estranha vai jogar agora? Vamos Melina, impressione os rapazes. Quem sabe assim algum te olhará!
Dito e feito. Sacou, marcou ponto e os rapazes a olharam. Parece que sua adversária não gostou muito após flagrar seu namoradinho cochichando e olhando para Melina. Em um súbito ataque, começou a gritar:
- Sua vadia, tire o olho do meu namorado senão eu acabo com sua vida!
Escutou-se um estalo e Melina levou suas mãos ao rosto. Ela tinha levado um tapa. Enquanto os garotos gritavam “wow”, Mel se dirigiu ao lugar onde estavam os garotos, olhou para aquela menina e disse:
- Você pediu.
Deu um beijo no namorado de Louise. O cara do time de futebol realmente tinha gostado, porque não poupou apertos ou mesmo tentou interromper aquele beijo. O sinal tocou, Melina desgrudou dele e ao piscar para Louise, saiu andando. É, parece que dessa vez quem realmente atraiu os olhares foi ela, com sua cara desiludida sob prantos.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Madrugada quente
Psicose Nova-Iorquina - Capítulo III
Sai do restaurante na sexta mais cedo. Provavelmente com Alana viajando, Átila iria me ligar para irmos a algum lugar, já que com ou sem ela não deixamos de sair nunca. Eu fui dar uma volta e fui em algumas lojas atrás de um vestido básico, mas que ficasse legal em mim. Estava caminhando e meu celular tocou:
- Oi Átila.
- Mel, amanhã nós vamos sair.
- Eu estava esperando você dizer isso. Estou procurando um vestido barato para comprar. Onde vamos?
- Não sei ainda, mas estou avisando.
- Balada?
- Talvez.
- Beleza. Achei uma loja aqui, vou entrar e provar roupas. Depois nos falamos, beijo.
- Tudo bem, beijão.
Entrei na loja e comprei o vestido. Era lindo. Tinha um pouco de brilho, mas não era seda. A cor era fantástica, grafite. Era um tomara que caia colado ao corpo, curto e marcante.
Fui para casa, estudei um pouco física e me cansei. Dormi. Acordei sábado por volta das onze horas. Sábado era meu dia de folga, então eu não fazia nada o dia todo. Passei meu vestido e deixei no cabide enquanto procurava meu secador. Estava cuidando da minha pele quando liguei para o Tilanga:
- Decidiu onde vamos?
- Pancha
- Ótimo!
- O que você está fazendo?
- Cuidando da minha aparência.
- Af, garotas.
- Tenho que ficar bem lindona, pare de reclamar. Ah! Passe aqui as 9.
Desliguei e fui tomar banho. Como o dia passou rápido. Olhei no relógio que já marcava oito e cinco. Sai do banho, coloquei um roupão e fui fazer uma maquiagem caprichada. Coloquei o vestido, minha ankle boot, acessórios, passei perfume e escutei o carro buzinando.
- Estou levando uma chave e não sei que horas volto mãe, tchau!
Entrei no carro e nós fomos. Chegamos e entramos. Nossa, estava lotada aquela boate. O DJ tinha um som muito legal e assim que pegamos um drink fomos dançar. Aquela música, aquela luz, tudo era demais! A cada minuto eu tinha vontade de dançar mais ainda, como eu curtia uma balada. Percebi que um rapaz me observava a noite inteira, mas não liguei muito para ele. Eu estava ali para curtir e queria que todos se lascassem afinal, aquela era minha noite. Dançamos até altas horas e saímos de lá quando o sol quase nascia, até que um rapaz chegou até mim:
- Eu te vi dançando a noite toda e te achei muito atraente. Se você quiser sair fim de semana, é só me ligar.
- Pois é, percebi. Fiz cara de desdenho e quando me dei conta, ele estava me agarrando, estava tentando me beijar. Eu não estava bêbada, estava alegre e sabia muito bem o que eu estava fazendo e o que ele estava fazendo.
- Ei, não te conheço para você chegar me agarrando!
- Só um beijinho custa alguma coisa, gata?
- Não quero!
Eu empurrava ele, mas ele me apertava e aquilo já estava me irritando. Átila percebeu que ele não me soltava, desceu do carro e veio para cima dele.
- Amigo, ela já disse que não quer. Não quero arrumar confusão contigo, mas se você não soltar a coisa vai engrossar pro teu lado!
- Alá, a moça não aguenta brigar é?
É, ele não devia ter dito isso. Átila o empurrou e finalmente ele desgrudou de mim. Quando eu menos esperei, ouvi o barulho de um soco. O carinha já estava com as mãos no rosto enquanto entrávamos no carro para sair daquele lugar. O Tilanga não era violento, confesso que fiquei surpresa com a reação dele. Fiquei em silêncio por alguns instantes até que resolvi dizer algo:
- Não precisava ter batido nele, ele ia me largar.
- Se eu deixasse você lá, ele iria fazer coisa pior Melina, pode ter certeza!
- Valeu Átila, valeu irmão. Devo essa.
- Relaxa gatinha.
Ele sorriu, dei um beijo no rosto dele e fui para casa.
Sai do restaurante na sexta mais cedo. Provavelmente com Alana viajando, Átila iria me ligar para irmos a algum lugar, já que com ou sem ela não deixamos de sair nunca. Eu fui dar uma volta e fui em algumas lojas atrás de um vestido básico, mas que ficasse legal em mim. Estava caminhando e meu celular tocou:
- Oi Átila.
- Mel, amanhã nós vamos sair.
- Eu estava esperando você dizer isso. Estou procurando um vestido barato para comprar. Onde vamos?
- Não sei ainda, mas estou avisando.
- Balada?
- Talvez.
- Beleza. Achei uma loja aqui, vou entrar e provar roupas. Depois nos falamos, beijo.
- Tudo bem, beijão.
Entrei na loja e comprei o vestido. Era lindo. Tinha um pouco de brilho, mas não era seda. A cor era fantástica, grafite. Era um tomara que caia colado ao corpo, curto e marcante.
Fui para casa, estudei um pouco física e me cansei. Dormi. Acordei sábado por volta das onze horas. Sábado era meu dia de folga, então eu não fazia nada o dia todo. Passei meu vestido e deixei no cabide enquanto procurava meu secador. Estava cuidando da minha pele quando liguei para o Tilanga:
- Decidiu onde vamos?
- Pancha
- Ótimo!
- O que você está fazendo?
- Cuidando da minha aparência.
- Af, garotas.
- Tenho que ficar bem lindona, pare de reclamar. Ah! Passe aqui as 9.
Desliguei e fui tomar banho. Como o dia passou rápido. Olhei no relógio que já marcava oito e cinco. Sai do banho, coloquei um roupão e fui fazer uma maquiagem caprichada. Coloquei o vestido, minha ankle boot, acessórios, passei perfume e escutei o carro buzinando.
- Estou levando uma chave e não sei que horas volto mãe, tchau!
Entrei no carro e nós fomos. Chegamos e entramos. Nossa, estava lotada aquela boate. O DJ tinha um som muito legal e assim que pegamos um drink fomos dançar. Aquela música, aquela luz, tudo era demais! A cada minuto eu tinha vontade de dançar mais ainda, como eu curtia uma balada. Percebi que um rapaz me observava a noite inteira, mas não liguei muito para ele. Eu estava ali para curtir e queria que todos se lascassem afinal, aquela era minha noite. Dançamos até altas horas e saímos de lá quando o sol quase nascia, até que um rapaz chegou até mim:
- Eu te vi dançando a noite toda e te achei muito atraente. Se você quiser sair fim de semana, é só me ligar.
- Pois é, percebi. Fiz cara de desdenho e quando me dei conta, ele estava me agarrando, estava tentando me beijar. Eu não estava bêbada, estava alegre e sabia muito bem o que eu estava fazendo e o que ele estava fazendo.
- Ei, não te conheço para você chegar me agarrando!
- Só um beijinho custa alguma coisa, gata?
- Não quero!
Eu empurrava ele, mas ele me apertava e aquilo já estava me irritando. Átila percebeu que ele não me soltava, desceu do carro e veio para cima dele.
- Amigo, ela já disse que não quer. Não quero arrumar confusão contigo, mas se você não soltar a coisa vai engrossar pro teu lado!
- Alá, a moça não aguenta brigar é?
É, ele não devia ter dito isso. Átila o empurrou e finalmente ele desgrudou de mim. Quando eu menos esperei, ouvi o barulho de um soco. O carinha já estava com as mãos no rosto enquanto entrávamos no carro para sair daquele lugar. O Tilanga não era violento, confesso que fiquei surpresa com a reação dele. Fiquei em silêncio por alguns instantes até que resolvi dizer algo:
- Não precisava ter batido nele, ele ia me largar.
- Se eu deixasse você lá, ele iria fazer coisa pior Melina, pode ter certeza!
- Valeu Átila, valeu irmão. Devo essa.
- Relaxa gatinha.
Ele sorriu, dei um beijo no rosto dele e fui para casa.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Possante de Átila
Psicose Nova-Iorquina - Capítulo II
A Dacown Street era uma das ruas mais frequentadas pelas mimadas de classe média-alta de Nova York. Não era a mais luxuosa, mas estava entre as mais caras. Haviam muitas lojas de roupas, sapatos, perfumarias, joalherias, é a rua dos sonhos para as garotas do colégio. As vezes quando eu ia a algum lugar e tinha que passar por aquela rua, sempre via as nojentas sondando lojas e mais lojas cheias de sacolas nas mãos. Era interessante saber por onde elas andavam, se é que você me entende.
Escutei a porta do restaurante abrir e quando olhei era Átila, com um sorriso de orelha a orelha.
- Mel, Melzinha, Melinda, você não sabe o que o gatão aqui comprou.
- Uma casa de praia em Saint-Tropez, uma boate em Ibiza ou o quê?
- Há, há. Venha ver então, otária.
Sai do restaurante e ele estava lá, lindo, deslumbrante, seduzindo quem passasse pela rua.
- Não acredito!
Sim, Átila juntava dinheiro desde os 15 anos para comprar um Opala 1974 preto. Tudo bem que o carro não era perfeito, mas estava muito bem cuidado. Boa pintura, bancos bem costurados, lindo e impecável. Eu não sabia o que fazer, porque estava muito feliz por ele. Desde quando éramos pequenos ele dizia que compraria um carro e eu seria a primeira a andar com ele.
- Átila, eu não consigo acreditar.
- Viu Mel, ele não é lindo? Eu te disse que iria comprar um carro, eu disse.
- Você pode ser um ano mais velho que eu, mas daqui um ano pode ter certeza que quem vai querer dirigir seu carro sou eu.
- Acordou ou ainda está sonhando?
- Imbecil. Anda Átila, vamos dar uma volta!
Disse isso, mas estava dentro do carro já. Era tão lindo por dentro quanto por fora.
Pedi para ele me levar à Dacown St. Ele estranhou, mas não exitou e me levou. Estávamos a caminho ao som de AC/DC, com Rock’n’Roll Singer. O som estava bem alto, do jeito que nós gostávamos. O carro era mais interessante ainda e Tilanga me contou tudo, desde o momento que ele chegou no estacionamento até a negociação. De repente eu vejo, quase atravessando a rua, as garotas do colégio.
- Átila, passa naquela poça de água quando as garotas forem atravessar a rua. Sem perguntas, faça o que eu mandei.
Dito e feito. Assim que elas foram atravessar a rua, Átila acelerou e virou a esquina no momento em que elas iriam atravessar.
- Você molhou minha roupa seu idiota!
Até um cidadão que passava ali perto resmungou alguma coisa para nós. Assim que ouvi aquelas vozes irritantes, abri o vidro e gargalhava ao ver a cara do "grupinho rosa" e do enxerido. Nova York ficava cada vez mais interessante. Fomos a um ferro velho atrás de algumas calotas cromadas, mas não compensava compra-las. Depois fomos abastecer e passamos na casa de um amigo de Átila que queria vender alguma coisa para ele, algo relacionado a som, mas não sabia exatamente o que era. Já estava escuro e Tilanga me deixou na porta de casa. Sai do carro, fechei a porta e me abaixei para falar com ele:
- Adorei o passeio hoje.
- Você é louca garota, de verdade.
- Elas merecem muito mais do que aquilo, mas como sou muito boa, não me preocupo muito em criar situações. As vezes eu me pergunto se a situação é que vem até mim.
- Desculpa boa essa. Se eu não te conhecesse, acreditaria em você.
- Até amanhã Tilanga.
E me afastei. Assim que fui para minha casa, parei diante a porta olhando o possante negro pela rua. Ele sumiu e eu entrei.
A Dacown Street era uma das ruas mais frequentadas pelas mimadas de classe média-alta de Nova York. Não era a mais luxuosa, mas estava entre as mais caras. Haviam muitas lojas de roupas, sapatos, perfumarias, joalherias, é a rua dos sonhos para as garotas do colégio. As vezes quando eu ia a algum lugar e tinha que passar por aquela rua, sempre via as nojentas sondando lojas e mais lojas cheias de sacolas nas mãos. Era interessante saber por onde elas andavam, se é que você me entende.
Escutei a porta do restaurante abrir e quando olhei era Átila, com um sorriso de orelha a orelha.
- Mel, Melzinha, Melinda, você não sabe o que o gatão aqui comprou.
- Uma casa de praia em Saint-Tropez, uma boate em Ibiza ou o quê?
- Há, há. Venha ver então, otária.
Sai do restaurante e ele estava lá, lindo, deslumbrante, seduzindo quem passasse pela rua.
- Não acredito!
Sim, Átila juntava dinheiro desde os 15 anos para comprar um Opala 1974 preto. Tudo bem que o carro não era perfeito, mas estava muito bem cuidado. Boa pintura, bancos bem costurados, lindo e impecável. Eu não sabia o que fazer, porque estava muito feliz por ele. Desde quando éramos pequenos ele dizia que compraria um carro e eu seria a primeira a andar com ele.
- Átila, eu não consigo acreditar.
- Viu Mel, ele não é lindo? Eu te disse que iria comprar um carro, eu disse.
- Você pode ser um ano mais velho que eu, mas daqui um ano pode ter certeza que quem vai querer dirigir seu carro sou eu.
- Acordou ou ainda está sonhando?
- Imbecil. Anda Átila, vamos dar uma volta!
Disse isso, mas estava dentro do carro já. Era tão lindo por dentro quanto por fora.
Pedi para ele me levar à Dacown St. Ele estranhou, mas não exitou e me levou. Estávamos a caminho ao som de AC/DC, com Rock’n’Roll Singer. O som estava bem alto, do jeito que nós gostávamos. O carro era mais interessante ainda e Tilanga me contou tudo, desde o momento que ele chegou no estacionamento até a negociação. De repente eu vejo, quase atravessando a rua, as garotas do colégio.
- Átila, passa naquela poça de água quando as garotas forem atravessar a rua. Sem perguntas, faça o que eu mandei.
Dito e feito. Assim que elas foram atravessar a rua, Átila acelerou e virou a esquina no momento em que elas iriam atravessar.
- Você molhou minha roupa seu idiota!
Até um cidadão que passava ali perto resmungou alguma coisa para nós. Assim que ouvi aquelas vozes irritantes, abri o vidro e gargalhava ao ver a cara do "grupinho rosa" e do enxerido. Nova York ficava cada vez mais interessante. Fomos a um ferro velho atrás de algumas calotas cromadas, mas não compensava compra-las. Depois fomos abastecer e passamos na casa de um amigo de Átila que queria vender alguma coisa para ele, algo relacionado a som, mas não sabia exatamente o que era. Já estava escuro e Tilanga me deixou na porta de casa. Sai do carro, fechei a porta e me abaixei para falar com ele:
- Adorei o passeio hoje.
- Você é louca garota, de verdade.
- Elas merecem muito mais do que aquilo, mas como sou muito boa, não me preocupo muito em criar situações. As vezes eu me pergunto se a situação é que vem até mim.
- Desculpa boa essa. Se eu não te conhecesse, acreditaria em você.
- Até amanhã Tilanga.
E me afastei. Assim que fui para minha casa, parei diante a porta olhando o possante negro pela rua. Ele sumiu e eu entrei.
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